A existência é um renovado desafio diário. Todo momento nos deparamos com problemas de toda ordem que devem ser resolvidos e que aprimoram a nossa capacidade cognitiva e nos mantêm motivados e ativos contrariando a nossa tendência de inércia.
Hoje, tenho mais um desafio na vida após ter vencido muitos, principalmente no dia a dia no cuidado de pacientes. Esse desafio chama-se ELEIÇÃO-2012 . A política é um fenômeno que faz parte do homem. É a arte e ciência da conciliação e priorização diante dos variados interesses e necessidades de uma comunidade.
Quem deveriam ser os escolhidos para essa representação? A lógica diz que os mais experientes nas atividades seculares e profissionais com um tempero de sensibilidade e compreensão dos fenômenos sociais. Infelizmente não é esse o processo e, a regra estabelecida passa obrigatoriamente pelo poderio econômico ao qual grande parte da população reverencia e se submete. A resultante é o compromisso dos eleitos com os seus financiadores e não com a sociedade carente e desamparada.
Além disso, a tão reverenciada democracia que nada mais é do que plutocracia tem ainda outra regra que é a dinastia na política assumida por famílias que impõem membros de seu clã como se fossem verdadeiros gênios na arte política. A essência dessa atitude é a perpetuação do poderio familiar e dominação da sociedade aos seus interesses particulares.
Exemplo desse comportamento é notório com a família Sarney no Maranhão, um dos estados mais atrasados do País, e também em nossa cidade.
Você, que é cidadão diferente e diferenciado tem a obrigação social de reconsiderar todas essas variáveis antes de decidir por um representante na Câmara Municipal, por isso estou argumentando sobre as nossas mazelas políticas e eleitorais na esperança de que você faça a diferença.
Apresento-me para sua melhor avaliação: sou médico há 37 anos, clínico e cardiologista, professor do curso de medicina da Uniderp-Anhanguera e coordenador do programa de residência em clínica médica da Santa Casa. Tenho muitas propostas na área de saúde que é o nosso grande problema social e também na área social e familiar.
Oportunamente apresentaremos em detalhe os nossos projetos legislativos.
Um grande abraço e conto com você.
Para vereador DR. LUIZ OVANDO – número 20.015 – PSC
Caros amigos A capa anexa é do livro “Urbieta & Sherwood – Pioneiros na obra de evangelização em terras mato-grossenses”. O livro possui 130 páginas, no tamanho 16 por 23, além de 33 fotos legendadas. Relata a vida e a obra de dois pioneiros, ou seja, o pastor João Gregório Urbieta, que foi o primeiro pastor batista mato-grossense e o missionário norte-americano, Wattie Bethea Sherwood, que trabalhou durante 29 anos no então Estado de Mato Grosso (1922-1951). Também são feitos questionamentos em relação à Denominação Batista (culto, oração, democracia, autonomia das igrejas, nome de igrejas, batismo no Espírito Santo, batismo, administração, ordenação feminina). O livro é uma homenagem ao Primeiro Centenário Batista em nosso Estado, Mato Grosso do Sul
. Serviço: O livro pode ser adquirido a R$ 25,00 (o preço da postagem registrada está incluído). Basta fazer o pedido e me enviar o endereço postal. O depósito do valor pode ser feito na seguinte conta: Carlos Osmar Trapp, Bradesco, Ag. 73, CC 103551-7 Mais informações pelos fones (67) 3361.8587/9998.4285 Um abraço fraterno, Carlos Osmar Trapp
Nota: O livro já está esgotado!
Do Rio a Montes Claros
(Parte do livro ‘Semeando a Boa Semente’ do Pr. João Gregório Urbieta).
O Dr. Watson recebeu um telegrama nestes termos: “Montes Claro – Diga Urbieta embarcar noturno no dia primeiro pt Condução espera quilômetro mil pt Ass. Crosland.”
Nunca antes ouvira eu tal nome. Todavia era uma chamada e mister se fazia obedecer. Dirigi-me à “Central” antes do horário do noturno. Estávamos em 1 de fevereiro de 1924. O plano era permuta de serviço nesse ano. O pastor Jurandir Freire viria substituir-me nas oficinas da Casa Publicadora Batista, no Rio, e eu iria substituí-lo na direção da Igreja Batista de Montes Claros (MG), depois colocaríamos novamente cada um em seu respectivo lugar.
Precisávamos comprar as passagens antes de despacharmos as malas, para gozarmos de 30% de abatimento. Fomos à bilheteria mineira.
– Dê-me duas passagens de segunda para o Km Mil.
– Não vendemos passagens para o Km Mil; somente para Corinto.
– Então, duas passagens para Corinto.
– Não vendemos passagens para o Mineiro enquanto o Paulista não chegar.
Ficamos por ali aguardando a chegada do trem Paulista. De repente, ouve-se a campainha que vem soando. Era o Paulista que entrava na estação. Saio apressado para comprar as passagens. Qual, porém, não foi a minha surpresa ao contemplar uma enorme fila de gente à minha frente! Eu o primeiro passei a derradeiro! Minha temperatura se elevava e o meu corpo umedecia-se!
Por fim, compro as passagens, corro ao chefe, mostro-lhe as passagens e digo:
– Meu chefe, faz o favor de despachar a minha mala de roupa!
– Não há mais tempo.
– Seu chefe, só agora consegui as passagens e não posso viajar sem a mala.
– Deixe-a com algum amigo para despachá-la depois.
– Não tenho nenhum amigo aqui, sou de Mato Grosso e estou de trânsito para Minas. Se embarcar sem o despacho da mala perdê-la-ei e se eu ficar por causa das malas, perderei as passagens.
Um carregador que observava a minha lamúria, segredou-me ao meu ouvido:
– O senhor dá uma gorjeta ao chefe que ele despacha a mala.
– Sim dou, pois não – respondi-lhe eu.
Ele aproxima-se do chefe e fala-se auricularmente. O chefe, então, grita ao seu ajudante:
– Olha, ponha esta mala na balança.
Aí aparece o ajudante e reclama:
– Ah, mas isto já está fora de hora – tira o boné e coça a cabeça resmungando.
Chega-se novamente o carregador junto de mim e fala-me baixinho:
– O senhor dá uma gorjeta também ao ajudante do chefe?
– Sim dou, como não.
Volta o mediador junto ao ajudante e cochicha. E o tal chama o seu colega:
– Oh, vem cá, ajuda-me a colocar esta mala na balança.
– É, vamos ver isso – respondeu-lhe o outro – isto não pode ser fora de hora.
E dizendo assim olhava-me de soslaio e eu que já percebia a manha, esfreguei o indicador no polegar e gesticulei a minha cabeça como a lagartixa na parede, e zaz-traz, puseram a mala na balança e entregaram-me o conhecimento. Dei gorjetas aos quatro ratões, inclusive ao carregador como intermediário.
Parecia-me que havia despertado de um terrível pesadelo! Respirei novo ar e fui exclamando: Ó, meu Brasil querido, até quando seremos vítimas dos ladrões que pulam incólumes no teu seio? Ó Brasil de funcionários!
Viajamos a noite toda, banco duro de segunda, trem apinhado.
Chegamos a Corinto, e a mala nada!
– Deve chegar mais tarde pelo misto – diz-nos o chefe da estação.
Chega o misto, e nada de mala.
– Com certeza, pelo noturno – afirma o chefe.
Pernoitamos no hotel e nosso dinheirinho minguado se esgotava. O noturno chegou, mas a mala, não. Então fomos de Castro ao Km Mil, encontrarmo-nos com o condutor para avisá-lo de que era necessário esperarmos a chegada da nossa mala para prosseguirmos viagem. Diz-nos ele:
– Nós não podemos pernoitar, pois não há lugar nem para os animais. Mas daqui a três léguas mora um capiau que pode hospedar, e amanhã voltaremos e daqui o senhor irá à Corinto trazer a sua mala.
Tudo combinado.
A penumbra do crepúsculo descia. Internamo-nos na mata. Chegamos à casa do camponês às 21h e pedimos-lhe pousada. Respondeu-nos não haver acomodações, mas que adiante havia recursos, na Granja Reunida!
Pusemo-nos a caminho, mata densa, noite escura e ameaçando chuva. Chegamos à 1h e pernoitamos.
No dia seguinte, deixei a minha esposa ali e regressei ao Km Mil; dali fui a Corinto buscar a mala e nada!
Então entreguei o conhecimento ao hoteleiro para retirar a mala na estação e despachá-la para o Km Mil onde tratei com o despachante dali que quando a mala chegasse a despachasse para Montes Claros.
Do Km Mil, fomos pernoitar na “Granja Reunida”, onde chegamos às 22h. Era sexta-feira.
O sábado amanheceu e o nosso condutor albardou os animais para continuarmos a viagem. O senhor da Granja, porém, nos avisou de que naquele momento sairia um “Lastro” para Bocaiúva e que o Dr. João Alves estava ali e seguiria também nesse comboio. Persuadiu-nos também a mandarmos o nosso condutor com os animais pela estrada de rodagem até lá enquanto nós iríamos de Lastro, viagem mais cômoda e rápida.
Embarcamos. O doutor muito comunicativo entabulou logo uma palestra conosco:
– Desculpe-me a indiscrição: o senhor para onde se destina?
– Para Montes Claros.
– Muito bem, eu sou monteclarense, vou também para lá!
– Muito nos alegra, doutor, pois já não vamos entrar em sua cidade muito bisonho.
– Muito obrigado. Mas o senhor vem de Belo Horizonte?
– Não, senhor, vimos do Rio.
– Do Rio de Janeiro?
– Sim, senhor, para lhe servir.
– O senhor vem a negócio, não?
– Não, senhor. Sou evangelista e vim a convite do Dr. Crosland para substituir o pastor Jurandir.
– Ah! Conheço-os. O Dr. Crosland é um inglês distinto e muito rico; reside em Belo Horizonte. E o pastor Jurandir é meu cliente. Reside no melhor prédio de Montes Claros, é casado com a filha de um fazendeiro de Boa Vista.
Assim íamos palestrando. Ao chegarmos, porém, ao posto “Engenheiro Navarro”, o maquinista
recebeu um telefonema ordenando-lhe que regressasse já à Corinto. Desembarcamos.
Ali era ainda deserto e não havia nada. O doutor pede ao maquinista do Lastro mandar um automóvel da granja para levar-nos à Bocaiúva.
O nosso raquítico dinheirinho se extinguira. Muito mal chegou para o nosso pernoite na “Granja” nem mais para comprar um pão para matula.
Chega o automóvel, o doutor convida-nos, mas nós sem dinheiro declinamos. O doutor pede, insta, implora que nos levaria ao melhor hotel onde o Dr. Crosland, o pastor Jurandir e os Batistas de Belo Horizonte se hospedavam com todo o conforto, e que descansaríamos bem naquela noite, e que no dia seguinte iríamos juntos a cavalo para Montes Claros, etc, etc.
Chispas de fogo saíram-me do rosto de tanta vergonha, pois o doutor já sabia que eu era evangelista batista, vindo do Rio de Janeiro para substituir um pastor fazendeiro e se descobrisse que não tínhamos um real na algibeira, qual mísero forasteiro, poria dúvidas a nosso respeito!
Por fim, dissemos-lhe inexoravelmente: Doutor, a condução que nos deram foi essa, não queremos ultrapassar as ordens recebidas, todavia queremos merecer um seu favor: Quando alcançar o nosso condutor diga-lhe que traga os animais aqui e ficar-lhe-emos agradecidos. Aí o doutor concordou e chispou. Ficamos eu e a esposa, sem dinheiro e sem o que comer, ainda faltando dois dias para chegarmos a Montes Claros!
Eis que volta o condutor com o seguinte recado:
– O Dr. João Alves manda dizer-lhes que já mandou preparar o jantar para nós e o aposento.
– O senhor trouxe dinheiro? – disse eu ao condutor.
– Não, senhor, o Jurandir não me deu nenhum dinheiro para a viagem
– Então não podemos parar em Bocaiúva. Mas não haverá um morador antes de Bocaiúva?
– Não, senhor. Mas a três léguas adiante mora um capiau.
Parece que era esse o homem das três léguas.
– Vamos, pois ao capiau.
Cavalgamos e metemo-nos na estrada.
O sol já descambara para o seu ocaso quando entramos na praça da cidade onde estava o hotel. O doutor vem ao nosso encontro:
– Oh! Vamos chegar! Já jantamos, mas já mandei preparar o aposento e o demais para os seus, vamos.
– Perdão, doutor, nós estamos atrasadíssimos com a nossa viagem e precisamos prosseguir.
– Mas é uma temeridade meter-se nessa estrada à noite, para os animais. Foi por isso que mandei
preparar tudo aqui!
– Tenha paciência, doutor, nós prosseguiremos. Até amanhã, doutor.
E partimos.
– Mas o senhor tem coragem de meter sua senhora numa noite escura como esta – gritou-nos o doutor à nossa retaguarda.
De súbito, um terrível nó apertou-me a garganta e as lágrimas ardentes marejaram-me os olhos lânguidos de tanta lástima e compunção. Nosso estômago mantido em jejum forçado durante esse dia fazia-nos estugar os passos de nossos
animais na esperança de recuperarmos as forças num bródio em casa do capiau.
Chegamos às 9h da noite. O casebre era de pau-a-pique sem barrear, coberto de sapé e onde cabia apenas o dono, por isso ficamos no terreiro e o homem foi perguntando:
– Vancês trouxero café? O meu acabou-se há dias e tô loco de vontade de tomar uma moóca.
– Não, senhor, hoje só tomamos café de manhã lá na granja, daí para cá não petiscamos nada. O senhor quer fazer o favor de arranjar alguma coisa para comermos?
– Ah, eu tenho uma moitazinha de caiana lá na roça, mas agora não vou lá, não senhor, porque tem cobra.
Era medo dos crótalos o que matava!
Então pedimos-lhe pousada, mesmo bulímicos!
O caipira estende-nos um couro seco de boi no terreiro. Eu e a esposa deitamo-nos com a mesma indumentária, no sereno, sobre o couro enrugado e nauseativo. A rugosidade da pele obrigava-nos a virarmos a noite toda de um lado para outro e as bicharias infernais passeavam pelo nosso corpo.
As nossas vértebras, costelas e ventres amanheceram macerados. Noite cruel! Mas, antes que amanhecesse, prosseguimos, pois não queríamos que o doutor nos alcançasse na estrada. Aconteceu, porém, que os nossos animais não trotavam mais, íam só a passos. Pudera, pois dormiram na soga, no cerradão.
Às 8h, surge à nossa retaguarda o doutor com a sua esposa em dois corcéis nédios e marchadores, dizendo-nos logo:
– Eu não disse que os senhores cometeriam uma temeridade entranhando-se em noite escura neste deserto árido, sem recurso e sem conforto? Olha, nós descansamos e estamos bem dispostos, nosso animais pernoitaram no Jaraguá, estão fogosos e chegaremos em Montes Claros na hora do almoço e os senhores hoje ainda não chegam!
Eu quis corresponder ao doutor com um sorriso, mas os meus músculos faciais se contraíram.
Eles passaram com os cavalos saracoteando as ancas luzidias e desapareceram!
O astro-rei desapareceu deixando-nos na estrada. Chegamos momentos antes do culto. A casa cheia à nossa espera. O pastor radiante entrega-me a palavra. Mas eu, exausto, cabeça oca, declinei da honra inflexivelmente. O pastor parece que se agastou. Leu Provérbios 26.13, aplica-o e por fim entrega-me a igreja.
No dia seguinte, o pastor toma um automóvel e segue a Bocaiúva, destino ao Rio, deixando-me em meditação.
Fiquei com os monteclarenses, povo hospitaleiro e bom, tradicionalmente católico, tolerante e comunicativo.
Anunciamos o evangelho de dia e de noite, na sede, nas “Queimadas”, na “Boa Vista do Mato” e em “Bocaiúva.”
Certo dia bate-nos à porta um jovem e pergunta-nos:
– O senhor é o pastor da igreja?
– Sou encarregado na ausência do pastor.
– Vim pedir-lhe o favor de guardar a minha mala em sua casa porque não tenho confiança de deixá-la no hotel.
– O senhor é crente?
– Não o sou, mas estive em tratamento no Hospital Evangélico no Rio e fiquei conhecendo os crentes que são pessoas de toda confiança.
– Qual é a sua graça? Como se chama?
– Souto Maior, representante da casa comercial do Rio e venho trabalhar nesta praça.
– Sendo assim, a casa está às suas ordens, não somente para guardar as malas, mas também para hospedá-lo (A casa era de sobrado: tinha 15 compartimentos e muitos colchões para hóspedes).
Ele trouxe a mala, contudo ficou no hotel. Tornou-se ouvinte assíduo nos cultos e vinha sempre com um engenheiro que se hospedava no mesmo hotel. Tínhamos imenso prazer em vê-los conosco.
Em dezembro, recebemos o nosso salário de 200$000 que vinha de Belo Horizonte, com o aviso de que era o último pagamento porque o pastor Jurandir já deveria estar em Montes Claros e providenciaria a nossa ida para o Rio. Segundo o teor do aviso, acreditamos que o Dr. Crosland havia remetido dinheiro suficiente ao pastor para a sua vinda e para a nossa ida. Entretanto, o meu colega Waldemar, da Casa Publicadora Batista, certificou-me de que o Jurandir se despedira da Casa para regressar a Montes Claros e não o fez, antes empregou-se nas oficinas do “Jornal do Comércio”.
Por isso que as nossas correspondências se interromperam. Nem o Dr. Crosland sabia do paradeiro do pastor. Portanto, quanto mais dilatássemos a nossa viagem tanto pior, pois o salário acabar-se-ia e ficaríamos no “mato sem cachorro”.
Então, servimo-nos de nosso salário e empreendemos a viagem no menor prazo possível.
Nosso amigo Souto Maior entregou-nos um queijo para levarmos de presente a um seu amigo no Rio, um tabelião.
Chegamos a Bocaiúva, primeira estação da estrada de ferro e ficamos surpreendidos e tristes com a nova de que o tráfego se achava interrompido, porque as chuvas torrenciais danificaram o leito da linha. Aí ficamos no memorável hotel e separamos o dinheirinho para as duas passagens de segunda, de Bocaiúva ao Rio.
À meia-noite do terceiro dia, chegou o trem e às 4h da madrugada regressaria. Nosso dinheirinho não chegou para pagarmos o hoteleiro. Deixamos nossa mala como penhor.
Tomamos o comboio e partimos, sem nenhum centavo no bolso. Ao alvorecer da manhã entra o garçom e começa a gritar: “Olha o café! Olha o moóca!” Todos saboreiam o cafezinho, menos eu e minha esposa. Esvaziava-se uma bandeja e vinha outra. Um companheiro de banco, indiscreto e curioso, pergunta:
– Mas o senhor e sua senhora não tomam café?
– Não, senhor.
– Não gostam de café?
– Gostamos, mas não vamos tomar.
– Olha, pois está quentinho, feito na hora que é uma delícia! Experimentem só!
– Não, senhor, não vamos mesmo tomar café.
– Ora, mas um moocazinho a estas horas faz a gente criar alma nova.
E a rubiácea estava odorífera, penetrava a nossa pituitária aguçando-nos o apetite! Mas estávamos com vergonha de revelar que estávamos sem dinheiro!
De quando em quando ouviam-se os anúncios: “Olha os sanduíches, o pastel, o doce!”
Nunca vimos tanta guloseima como nesse trem!
O queijo que trazíamos cheirava tanto que nos enchia a boca d’água. Às 11h, apareceu o garçom: “Olha o almoço! Quem vai almoçar? Quem quer um sortido?”
E os passageiros que não trouxeram matula escolhiam uma ou outra coisa; e nós, nada!
Mas eu, que de fome já estava mudando de cor como camaleão, segredei à minha esposa:
– Vamos comer o queijo?
– Não é nosso; como vamos comê-lo?
– No Rio compraremos outro e entregá-lo-emos ao tabelião.
– Mas o que o homem nos entregou em confiança foi este, e é este que temos de entregar e não outro.
Lá pelas 14h, fiz a segunda tentativa para ingerirmo-lo, pois devia estar sápido! Ela continuou irredutível que não e não.
À hora do jantar, tentei, pela terceira vez, deglutirmos a dádiva do tabelião. A mulher, porém, persistia no seu estoicismo cru.
Ante a sua inflexidez também fiquei estóico. Não mais falei no queijo.
Viajamos a tarde toda e a noite inteira, e já na hora do almoço chegamos ao Rio lívidos de sono e fome. Fomos a Montes Claros com o pé esquerdo e voltamos com o pé esquerdo.
Na Convenção Batista Latino-Americana, em 1930, estávamos ouvindo o discurso do Dr. Truett.
Alguém bate-me ao ombro: “Olha, já sou crente”.
Era o Souto Maior. Veio-me à lembrança o queijo.
Se aquela fome contribuiu para a sua salvação, bendita foi aquela fome. E nunca mais o vi.
Caro leitor, esse é um texto que faz parte da Autobiografia do Pr. João Gregório Urbieta. Foi disponibilizado aqui por falta de espaço no livro Urbieta & Sherwood – Pioneiros na obra de evangelização em terras mato-grossenses.
A Assembleia de Deus, maior denominação evangélica pentecostal no Brasil, comemora seu centenário em 2011, e sua bancada, que lidera a Frente Parlamentar Evangélica na Câmara, representa 22,5 milhões de brasileiros.
Antes das eleições de 2010, o deputado federal Ronaldo Fonseca (PR-DF) reuniu-se com José Wellington Bezerra, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus, para escolher pastores e lideranças da igreja com bom potencial eleitoral. Fecharam a lista em 30 nomes. Conseguiram eleger 22 deles, um percentual assombroso de 73,3% de sucesso.
Não há partido político no Brasil com tamanho êxito: o PT, por exemplo, dono da maior bancada da Câmara, lançou 334 candidatos a deputado federal e elegeu 88 deles (26,3%). Dos 73 deputados que compõem a bancada evangélica, os assembleianos são um terço. Seu presidente, o deputado federal João Campos, é seguidor da igreja.
Com seu eleitorado cativo, os parlamentares ligados à Assembleia de Deus podem se dar ao direito de contrariar a orientação partidária quando convém ao seu grupo. Segundo Fonseca, presidente subdivisão ligada à igreja na Câmara, “temos um acordo com nossos partidos: se o que está em pauta na Casa atentar para alguma questão moral, temos independência. Foi assim que derrubamos o kit gay”.
O deputado se refere à suspensão da produção e distribuição do kit anti-homofobia, produzido pelo Ministério da Educação para distribuição nas escolas. À época, os parlamentares chegaram a ameaçar adesão à CPI, movida pela oposição, contra o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, acusado de súbito enriquecimento.
Quase toda a bancada evangélica, 63 parlamentares, faz parte de partidos da base do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). “Os partidos sabem que não tem como segurar esses deputados. Falou em aborto, descrim-inalização da maconha ou casamento gay, os evangélicos votam contra. O PSC é base do governo Dilma, mas nem adianta pedir apoio nessas questões”, afirmou o vice-presidente do PSC, pastor Everaldo Pereira.
Para o segundo semestre, os evangélicos devem, novamente na esteira de atuação dos adeptos da Assembleia de Deus, encampar duas pautas. Uma é a elaboração de versão “alternativa” ao projeto de Lei 122, sob relatoria da senadora Marta Suplicy (PT-SP), que criminaliza a homofobia.
“Queremos que o empregador possa estabelecer critérios para não contratar alguém. Inclusive por diferenças de religião ou opção sexual”, disse Fonseca. “Se você não quiser me contratar por eu ser pastor, tudo bem. Mas quero ter o direito de, caso eu tenha uma empresa só com homens, não contratar gay.”
A outra é promover um plebiscito nacional que substitua a aprovação do STF (Supremo Tribunal Federal), que julgou constitucional a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A reivindicação dos deputados evangélicos ganhou fôlego e substância após a divulgação, na semana passada, de pesquisa do instituto Ibope Inteligência, que revelou que 55% dos brasileiros são contra a união estável para casais homossexuais. O percentual de contrários sobe para 77% entre evangélicos.
Por ora, os assembleianos se dizem satisfeitos com a presidente Dilma: “Ela não nos ‘peitou’ quando fomos pra cima, no caso do kit gay. Então está bom”, disse Fonseca. “Agora, precisa nos receber. Passaram-se seis meses e a gente só conversa com o Gilberto Carvalho [ministro da Secretaria-Geral da Presidência]”, destacou o pastor Everaldo.
Rondônia é o Estado que abriga mais parlamentares ligados à Assembleia de Deus, em termos absolutos e proporcionais: três de seus oito deputados federais pertencem à igreja. O PSC, com oito deputados, é o partido preferencial. Na sequência, aparece o PR, com quatro deputados —a sigla tem em suas fileiras muitos evangélicos, mas a maioria é de presbiterianos, como o deputado federal Anthony Garotinho (RJ).
Essencialmente, os parlamentares da Assembleia de Deus recorrem a três estratégias na hora de arrecadar fundos para a campanha eleitoral: doações em quantias menores, vindas de simpatizantes; empenho de recursos próprios; ou doações dos próprios partidos, um recurso para escamotear recursos vindos de empresas.
Um dirigente partidário, sob a condição do anonimato, explicou: “Tem muito preconceito contra o evangélico. Então, as empresas ajudam, mas preferem não serem vinculadas diretamente ao candidato. Doam para o partido e a gente repassa”.
Destaca-se entre os recebedores de pequenas quantias o deputado federal Paulo Freire (PR-SP), filho do pastor José Wellington: das 350 doações que recebeu na campanha de 2010, 304 eram em valores de até R$ 400, segundo sua prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Zé Vieira (PR-MA) foi quem mais empenhou dinheiro do próprio bolso, nada menos que R$ 310 mil dos R$ 333 mil de sua receita. O campeão em recebimento de repasses partidários foi o deputado federal Filipe Pereira (PSC-RJ).
Dos R$ 3,2 milhões que recebeu, R$ 9.000 foram doados pelo presidente regional do PMDB no Rio, Jorge Picciani. O resto veio do PSC. Foi também o maior arrecadador do grupo, cuja média de receita nas eleições foi de R$ 575,2 mil.
Eli foi juiz de Israel por 40 anos e acumulava essa função com a de sumo sacerdote.
Em hebraico o termo “Eli” significa “Ascendido”. Em aramaico significa “Subido”. Eli foi o 16º juiz de Israel, a contar de Moisés. Foi durante o seu ministério que nasceu Samuel (o filho de Ana e de Elcana), que foi por ele criado no Templo e preparado para ser o próximo profeta e juiz de Israel.
O ministério profético de Eli não ia nada bem, pois nessa época Deus não estava se manifestando através de profecias e as visões não estavam sendo reveladas ao povo de Israel. Eli era descendente de Itamar, o quarto filho do sumo sacerdote Arão. A decadência do ministério de Eli devia-se à sua falha na criação e na sua negligência na disciplina de seus dois filhos: Finéias e Hofni (1Sm 1.9-28; 2.11-18; 3.1-21; 4.18; 1Rs 2.27; 1Cr 24.3; Êx 6.23).
Quando Eli se mostrou relapso não só como pai, mas também como sumo sacerdote de Israel, seus dois filhos, Finéias e Hofni, apesar de servirem como sacerdotes no Templo, mostram-se imprestáveis e interessados apenas em satisfazer sua gula e seus desejos sexuais impuros. Não se contentaram com o quinhão de sacrifício destinado a eles pela Lei de Deus, e até mesmo se serviam antes do Senhor Deus, ao ordenarem que um ajudante exigisse carne crua de um doador, antes de fazer a gordura fumegar sobre o altar. Os filhos cobiçosos e sensuais de Eli usavam de suas posições na tenda de reunião para se entregar aos vícios e furtos, em prejuízo da adoração pura a Deus. Mesmo quando seus filhos corruptos tiveram relações sexuais com as mulheres que serviam à entrada do Tabernáculo, Eli não os expulsou do cargo, mas apenas os censurou de forma branda. Eli continuou honrando aos seus filhos mais do que ao Senhor Deus (1Sm 2.12-17,22- 25,29).
No decorrer do tempo, chegou um profeta de Deus com uma mensagem funesta de aviso: “O poder e a influência da casa de Eli serão decepados, de modo que não chegará a haver homem idoso na casa dele. Seus filhos corruptos são designados a morrer num só dia” (1Sm 2.27-36). Por intermédio do próprio menino Samuel, Deus reafirmou o julgamento adverso sobre toda a casa de Eli (1Sm 3.11-14). Samuel teve medo de relatar essa mensagem, mas o fez a pedido a Eli. Eli sujeitou-se humildemente a isso, dizendo: “É de Deus. Faça ELE o que for bom aos seus olhos” (1Sm 3.15-18).
A retribuição chegou segundo a Palavra de Deus. Israel perdeu cerca de 4.000 homens na batalha contra os filisteus. Os israelitas decidiram trazer de Siló a Arca e levá-la ao acampamento, pensando que isto resultaria em serem libertos dos seus inimigos. Mas os filisteus aceleraram os esforços de combate. 30.000 homens israelitas foram mortos. A Arca é capturada.
Hofni e Finéias, que estavam ali com a Arca, foram mortos. Um homem de Benja-mim vai correndo das linhas de frente para levar as novas a Eli. Cego e debilitado, com 98 anos, está sentado à beira da estrada, seu coração tremendo por causa da Arca. Ao ouvir dizer que a Arca foi capturada, Eli cai de costas e morre de fratura no pescoço (1Sm 4.2-18).
A retribuição adicional contra a casa de Eli sobreveio no governo do rei Saul, que ordenou o assassinato dos sacerdotes de Nobe, descendente de Eli, por meio de Aitube, filho de Finéias (1Sm 14.3; 22.11,18). Apenas Abiatar, filho de Aimeleque, escapou do massacre e continuou servindo como sacerdote durante o reinado de Davi (1Sm 22.20; 2Sm 19.11). No entanto, Abiatar foi removido como sacerdote por Salomão, por ter oferecido ajuda a um conspirador rebelde, Adonias (1Rs 1.7; 2.26,27). Cumpriu-se assim o julgamento de Deus sobre toda a casa de Eli, e os descendentes dele foram expulsos para sempre do cargo de sumo sacerdote (1Sm 3.13,14). É interessante observar que a Bíblia faz referência a dois homens com o nome de Eli: 1) Eli, o 16º juiz de Israel a contar de Moisés. 2) Eli, o pai de Maria (a esposa de José e mãe de Jesus) e avô materno de Jesus Cristo (Lc 3.23,31).
Dr. Venâncio Josiel dos Santos, Presidente da Academia Evangélica de Letras e Artes/MS (AELA/MS)
Dia 07 de setembro, estava vendo na TV a participação das pessoas nas comemorações da nossa Independência. E, apesar do calor e do tempo seco, muitas pessoas foram às ruas para ver os desfiles.
Mas também vi outras se manifestando contra falhas que acontecem em diversos setores da sociedade, principalmente, públicos.
Daí, lembrei de alguns e-mails que recebi com teor crítico. O último, foi repassado pelo Pr. Jonas Xavier de Pina, da Segunda Igreja Batista, e, com a devida permissão dele, vou publicá-lo aqui com alguns ajustes e supressões, por questão de espaço, para nossa avaliação. Diz o e-mail:
“Tá reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arrruda? do Sarney? do Collor? do Renan? do Palocci? do Delúbio? dos politicos distritais de Brasilia? do Jucá? do Kassab? dos mais 300 políticos do Congresso?
Brasileiro reclama de quê?
O Brasileiro é assim:
– Coloca nome em trabalho que não fez.
– Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
– Paga para alguém fazer seus trabalhos.
– Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
– Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
– Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
– Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
– Fala no celular enquanto dirige.
– Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos.
– Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
– Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
– Viola a lei do silêncio.
– Dirige após consumir bebida alcoólica.
– Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
– Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
– Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
– Faz “gato” de luz, de água e de TV a cabo.
– Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
– Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
– Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
– Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
– Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
– Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
– Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
– Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
– Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
– Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
– Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
– Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis… como se isso não fosse roubo.
– Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
– Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
– Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.
Além disso:
– Pede ao amigo que está em algum trabalho público, principalmente político, um lugarzinho para seus filhos em vez de estimulá-los a estudar e conseguir seus próprios empregos….
– Vai até a escola e paga o maior esporro na professora ou professor que deu a bronca em seus filhinhos…
– Faz vista grossa quando seu filhinho ainda pequeno chega da escola com pequenos objetos que não lhe pertencem ao invés de fazê-lo devolver no dia seguinte;
– Adultera documentos para entrar em locais proibidos para menores, com a conivência dos pais.
E quer que os políticos sejam honestos…
Escandaliza-se com o men-salão, o dinheiro na cueca, a farra das passagens aéreas…
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário, por amor à nossa Pátria, nesse mês, e sempre!
Vamos dar o bom exemplo! Espalhe essa idéia!
“Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos”
Colhemos o que plantamos! A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes.
Quando estava na idade de casar, Sansão pediu que seus pais conseguissem para ele uma esposa filistéia, da região de Timná. Isto estava dentro dos planos de Deus, visto que este casamento deu a Sansão a oportunidade de lutar contra os filisteus (Jz 13.25-14.4).
A caminho de Timná, Sansão encontrou um jovem e feroz leão, e pela sua imensa força, dada por Deus, Sansão rasgou o leão pelo meio, usando apenas as mãos.
Seguiu depois para Timná, para encontrar a sua noiva (Jz 14.5-7).
Algum tempo depois, Sansão, acompanhado pelos pais, foi a Timná para trazer a sua noiva para casa. No caminho, desviou-se da estrada para ver o cadáver do leão que matara anteriormente, e encontrou dentro dele um enxame de abelhas e também mel.
Sansão comeu um pouco de mel, e juntando-se aos seus pais, ofereceu-lhes também do mel.
No banquete de casamento, fez desse incidente um enigma e o propôs aos 30 padrinhos filisteus. A seqüência dos fatos em torno desse enigma ofereceu a Sansão a oportunidade de matar 30 filisteus em Ascalom (Jz 14.8-19).
Quando o pai da sua noiva a deu para outro homem e não lhe permitiu vê-la, Sansão teve mais uma oportunidade de atuar contra os filisteus. Usando 300 raposas, incendiou o campo de cereais, os vinhedos e os olivais dos filisteus. Os filisteus, enfurecidos, queimaram a noiva de Sansão e o pai dela, porque a perda dos filisteus resultara do tratamento que este dispensara a Sansão. Com este ato, os filisteus deram a Sansão mais um motivo de se vingar deles. Então ele matou muitos filisteus, “empilhando pernas sobre coxas” (Jz 14.20-15.8).
Procurando vingar-se de Sansão, os filisteus foram a Leí, cidade da região de Judá. Três mil homens de Judá convenceram a Sansão, no rochedo de Etã, a se entregar. Os filisteus, exultantes, se prepararam para receber a Sansão como prisioneiro. Mas, o Espírito de Deus se apossou de Sansão e ele quebrou os grilhões (correntes) que o prendiam como se fossem “fios de linha queimados pelo fogo”, de forma que seus grilhões se derreteram em suas mãos. Apanhando uma queixada dum jumento caída por ali, Sansão matou mil filisteus com ela. Depois, sentindo sede, atribuiu essa vitória ao Senhor Deus, agradecendo em oração. Em resposta à sua oração de agradecimento, Deus proveu milagrosamente água de uma pedra para saciar a sede de Sansão (Jz 15.9-19).
Noutra ocasião, Sansão dirigiu-se a um prostíbulo na cidade filistéia de Gaza. Sabendo disso, os filisteus ficaram de emboscada, pretendendo matá-lo pela manhã, quando ele saísse do prostíbulo. Mas, à meia-noite, Sansão levantou-se e arrancou do muro de Gaza o portão da cidade, bem como suas ombreiras e trancas, e carregou-os para cima do monte que fica em Hébron (Jz 16.1-3). Isso foi uma grande humilhação para os filisteus, visto que Sansão deixou Gaza fraca e despro-tegida contra os intrusos.
A ida de Sansão a Gaza, sozinho, demonstrava sua grande coragem e destemor. Tudo o que Sansão fazia era aproveitar as oportunidades de causar dano aos filisteus, assim como já fizera antes, quando procurou uma esposa no meio desse povo inimigo de Israel (Jz 14.4).
Foi depois disso que Sansão conheceu a prostituta Dalila, e dela enamorou-se. E ela, para obter lucro material, procurou saber o segredo da força de Sansão. Três vezes ele lhe deu respostas enganosas. Mas, por causa da persistência dela, e dos carinhos que ela lhe proporcionava na cama, ele finalmente cedeu e lhe revelou o segredo de sua força. Então ela chamou os filisteus, para obter a recompensa e entregá-lo a eles. Enquanto ele dormia sobre os joelhos dela, ela raspou-lhe os cabelos, depois de tê-lo feito beber bastante vinho. Ao acordar, ele já não tinha o Espírito de Deus atuando nele, porque lhe revelara o seu voto de nazireado. Por isso, os filisteus conseguiram dominá-lo, vazaram-lhe os olhos e o levaram prisioneiro para trabalhar na moenda da Penitenciária (Jz 16.4-21).
Enquanto Sansão estava prisioneiro e trabalhando na moenda, os filisteus providenciaram uma grande festa em homenagem ao “deus” Dagom, a quem atribuíam a vitória sobre Sansão. Somente no terraço do templo havia 3.000 filisteus. Os alegres filisteus mandaram trazer Sansão da prisão, para servir-lhes de diversão, e nem perceberam o fato de que o cabelo de Sansão estava novamente crescido. Ao chegar ao templo, Sansão pediu ao garoto que o conduzia para colocá-lo entre as duas colunas de sustentação do edifício, e orou a Deus, pedindo-lhe perdão pelos seus pecados e solicitando que Deus estivesse com ele, pelo menos mais uma vez, para que assim ele pudesse vingar-se dos filisteus por pelos menos um dos seus olhos (Juízes 16.22-28). Então foi atendido por Deus, que lhe deu novamente grande força. Então, ele agarrou-se às duas colunas de sustentação do edifício, fazendo-as desabar, e com elas o templo de Dagom. Isso resultou na sua morte, assim como de todos os filisteus presentes no local. Na sua morte, Sansão matou mais filisteus do que em toda a sua vida.
Depois dessa destruição, seus parentes o enterram no campo entre Zorá e Estaol, na sepultura de Manoá, seu pai. Sansão morreu perdoado por Deus e sendo fiel a ELE, depois de ter sido juiz de Israel por 20 anos. Ele foi o 15º juiz de Israel, a contar de Moisés. Portanto, seu nome consta justificadamente entre os homens que, pela fé, foram feitos poderosos (Jz 15.20; 16.26-31; Hb 11.32-34).
Dr. Venâncio Josiel dos Santos
Publicado no Jornal “O Cidadão Evangélico” na Coluna “Israel e sua História” de agosto de 2011.
Nestes dias morreram John Stott e Amy Winehouse.
Stott morreu aos 90 anos.
Amy morreu aos 27 anos.
Stott morreu de complicações decorrentes da idade.
Amy morreu de “causas desconhecidas”, mas, ao que tudo indica, ocasionada por uma overdose.
Stott morreu em casa ouvindo “O Messias” de Handel e cercado por amigos que se revezavam na leitura de textos bíblicos.
Amy morreu em casa. Sozinha.
Stott escreveu dezenas de livros de conteúdo cristão que se tornaram luzeiros para a fé de milhões de cristãos em todo o mundo. Obras como “Crêr é também pensar”, “A cruz de Cristo”, “Ouça o Espírito, ouça o Mundo” e diversas outras obras. Ao lado de Billy Graham fundou o Movimento Internacional de Evangelização Mundial Lausanne. Dedicou sua vida ao treinamento e ao ensino de milhões de líderes nas regiões mais carentes de treinamento teológico do mundo, dentre elas, a América-Latina.
Amy se tornou conhecida por sua melodiosa voz que cantava letras que evocavam tristeza, desespero e solidão. Ela enterrou o seu próprio coração em uma das suas canções.
Stott sempre será lembrado por sua simplicidade, humildade e dedicação em defesa da causa do Evangelho.
Amy sempre será lembrada por suas performances de embriaguez e seus usos de drogas. Por sua aparência cada vez mais frágil diante da luta perdida contra o vício.
Em todo o mundo, apenas os cristãos protestantes lamentaram a morte de Stott. Não foi noticiado por nenhuma grande rede de TV. Nenhum jornal ou revista da chamada “mídia secular” escreveu nem mesmo uma nota sobre a sua morte. Mas, sua vida está escrita na memória e no coração de milhões.
Em todo o mundo, a morte de Amy foi noticiada exaustivamente. TV, rádio, jornais e revistas dedicaram páginas e páginas, horas e horas de cobertura a morte “prematura” daquela jovem “tão promissora” que seguia o exemplo de tantos outros antes dela.
John Stott foi pranteado com esperança por aqueles que eram seus amigos e compartilhavam sua fé em que a morte é apenas o início de uma abundante e plena vida ao lado de Cristo na eternidade.
Amy foi pranteada por milhões de fãs e amigos, conhecidos e desconhecidos, e principalmente, por seu pai e sua mãe, que não cansavam de repetir: “Nos últimos dias, ela estava bem”. Seu pranto era pela perda. E apenas isso. Talvez muitos deles pensem que a morte “é o fim”. Amy agora sabe que não é.
Stott morreu numa casa simples, num acampamento para idosos, propriedade da Igreja Anglicana.
Amy morreu numa bela mansão em um bairro nobre de Londres.
Stott não deve ter deixado muito de herança material. Mas, sua herança espiritual é inestimável.
Amy deixou milhões de dólares, cuja parte o pai reverterá para ajudar no tratamento de pessoas vítimas do álcool e das drogas. Talvez seja uma forma “de dar sentido a tudo isso”.
Stott sempre estava sorrindo.
Amy parecia não ter motivos para ser feliz.
Parece que para o mundo, a morte de Stott não fez nenhuma diferença.
Mas, é notório que para o mundo, a morte de Amy foi uma perda inestimável.
Stott morreu crendo na suficiência única e exclusiva do sacrifício de Cristo para ofertar graciosamente ao homem a salvação.
Amy não sei no que ela cria. Mas, por sua vida, pode-se afirmar que não havia experimentado uma nova vida em Cristo. Nele há esperança. Nele há alegria. Nele há sentido para o que fazemos.
Stott morreu e foi para o céu.
“Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
Lauro Cruzaltense Filho, por e-mail
Nota: Artigo publicado no Jornal “O Cidadão Evangélico” de agosto de 2011
Tudo o que nos chega e aceitamos, pode nos abençoar ou prejudicar. Tudo vai depender da nossa santidade. Às vezes Deus nos permite acesso ao dinheiro, às vezes, a muito dinheiro. O mesmo acontece com influência, relacionamentos, autoridade, fama, oportunidades etc.
Se o Espírito Santo produz o seu fruto em nossa vida, e sabemos que parte deste fruto é o domínio próprio ou autocontrole (Gl 5.23), estamos prontos para não nos deixar dominar por nada. Deus usa a nossa santidade para nos proteger. Por outro lado, “Quem não sabe se controlar é tão sem defesa como uma cidade sem muralhas.” (Pv 25.28).
Eugene H. Peterson disse que “a verdadeira espiritualidade, a espiritualidade cristã, tira a atenção de nós mesmos e foca-a em outra pessoa: Jesus.” Se concordarmos com ele, entenderemos que, os que agem com sinceridade diante de Deus, buscando um relacionamento saudável com Ele, só se deixarão controlar pelo Espírito.
Philip Yancey, num dos seus livros, citou um rabino que disse: “O homem deveria carregar duas pedras no bolso: uma com a inscrição ‘Não passo de pó e cinza’ e outra com a frase ‘Por minha causa o mundo foi criado’. E cada pedra deveria ser usada sempre que necessário”. O que destrói mais, portanto, é a falta de integridade pessoal, que inibe a ação do Espírito, impossibilita o domínio próprio, deixando à deriva o insincero, ainda que religioso.
A integridade nos protege.
Pr. Lécio Dornas
Nota: Publicado no Jornal “O Cidadão Evangélico” de agosto de 2011.
Como já disse em outras ocasiões, voltaria com frequência, para falar sobre datas importantes, para estar contextualizado e dar destaque a fatos históricos.
Primeiro, a minha esposa Simone já falou sobre o aniversário dela à página 8, que ela festejou num trabalho evangelístico realizado no bairro Jardim Noroeste, em nossa Capital. Meus votos são de que possamos estar juntos muitos anos servindo ao Senhor Jesus, até que a morte nos separe e que possamos nos ajudar mutuamente.
Em segundo lugar, temos o Dia dos Pais, no segundo domingo de agosto. Lembro, com gratidão do meu falecido papai que, além de me ensinar a ler e escrever antes de ir à escola, também me ensinou “as Sagradas letras”.
Portanto, parabéns aos pais e que Deus os ajude a cumprir o seu papel investindo tempo e valores nos seus filhos para o seu próprio bem!
Em terceiro lugar, preciso falar sobre o Centenário dos Batistas Sul-Mato-Grossenses, que deverá acontecer no dia 20 de agosto próximo.
Quero aqui contar um pouco dessa História, extraída de um prospecto muito bem elaborado pela Convenção Batista Sul-Mato-Grossense que conta que no final de 1910 havia em Corumbá um irmão proveniente da Igreja Batista de Rio Largo (AL), que ao saber que havia em Porto Murtinho um pregador da Palavra de Deus, sem demora, enviou-lhe uma carta solicitando que fosse à Corumbá para assistir um pequeno grupo de crentes ali existente.
O irmão covidado chamava-se José Correa Brasil, que era ex-membro da Igreja Batista em Paranaguá (PR).
Em pouco tempo, com as pregações do irmão Brasil, várias pessoas se converteram e foram batizadas no Rio Paraguai.
Mas esse progresso foi interrompido pelo fato de o irmão Brasil ter escrito um panfleto contra o fumo e assinado o mesmo como “pastor”, sendo que não era ordenado, fazendo com que as autoridades do lugar o perseguissem por isso. Tal fato fez com que deixasse a cidade de Corumbá e o grupo de crentes que estavam sob seus cuidados.
Porém, em meio a essa situação aflitiva chegou às mãos do irmão João Gregório Urbieta um exemplar de “O Jornal Baptista”, fazendo com que o mesmo entrasse em contato com o redator do Jornal, à época, o Dr. Entzminger, e solicitasse a vinda de um pastor batista para Corumbá.
A solicitação foi atendida mediante o envio do missionário norte-americano, Arthur B. Deter, que chegou na cidade em 5 de agosto de 1911, via marítima, depois fluvial, passando por Buenos Aires.
No dia 20 do mesmo mês, foi organizada a Primeira Igreja Batista em Corumbá com quatro membros e 30 candidatos a batismo.
O missionário deixou a igreja com 57 membros e o irmão Selidonio Urbieta encarregado do trabalho que se estendeu expressivamente.
Cabe ressaltar que o irmão Selidonio Urbieta mais tarde foi ordenado pastor sendo o primeiro obreiro da Primeira Igreja Batista de Campo Grande.
A quarta data importante são os 140 anos da organização da Primeira Igreja Batista em solo brasileiro, mais precisamente no dia 10 de setembro de 1871, em Santa Bárbara do Oeste (SP), formada em grande parte por colonos americanos que haviam fugido da Guerra de Secessão.
Uma programação de três dias deve marcar os festejos dos 140 anos, no município de Santa Bárbara do Oeste (SP).
Por último, preciso falar dos 112 anos de nossa Capital que está atingindo 800 mil habitantes. O dia 26 de agosto, data do aniversário, apresenta uma vasta programação, entre as quais a Marcha para Jesus, tradicional participação dos evangélicos no aniversário da Cidade Morena.
Concluindo, sabemos que não existem apenas batistas em nosso Estado e País, mas muitas denominações cristãs que também têm suas datas a comemorar. Mas o nosso desejo é que todos, como crentes em Cristo, possamos dar um testemunho ousado da nossa fé, contribuindo, assim, para que outros também venham a crer em Jesus como Senhor e Salvador. Além disso, vamos interceder pela nossa cidade.
Carlos Trapp, Pr.
Nota: Texto extraído do Jornal “O Cidadão Evangélico”, edição de número 117, de agosto de 2011.
A partir desse número, estaremos publicando os artigos do Jornal no Blog.



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