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4 de dezembro de 2017 / carlostrapp

A importância da confessionalidade para uma igreja biblicamente saudável

Há poucos dia, passamos por um grande feito na história do mundo ocidental, pois no dia 31 de outubro de 1517, um monge agostiniano fixou no castelo de Wittenberg as famosas 95 teses que abalariam o mundo medieval não somente na teologia, mas também por toda a Europa.
Naquele contexto onde havia uma decadência moral e espiritual que assolava o clero e a sociedade, a Reforma Protestante redescobre o evangelho e não à Bíblia. Uma das grandes preocupações dos reformadores era a reforma da vida, da adoração e também da doutrina à luz da Palavra de Deus conforme descreve um pensador cristão contemporâneo.
Neste ano em que celebramos os 500 anos da Reforma Protestante é de
suma importância buscar uma linha de pensamento teológica que seja
fundamentada nas Escrituras Sagradas e que sirva de parâmetros bem estruturados no nosso labor pastoral e acadêmico. Em dias de fluidez teológica, moral, ética e de pressupostos claros, se faz necessário olharmos para nossa própria história e aprendermos com os nossos pais as ricas contribuições não somente no campo teológico, mas também no cuidado pastoral.
No atual cenário do evangelicalismo tupiniquim, a falta da confessionalidade
para a igreja local contribui em muitos aspectos para o enfraquecimento doutrinal.
Haja visto, que o desconhecimento de doutrinas elementares da fé cristã no seio da
membresia e também daqueles que devem conduzir o rebanho corrobora para a
tese de que a recusa de se criar ou pelo menos de estudar os grandes credos e
confissões históricas que fazem parte da construção teológica ao longo da história
cristã é um desserviço para a atual conjuntura.
Essa abordagem pode parecer para nós batistas como uma romanização da
fé. Nada mais enganoso. Infelizmente há entre muitos batistas certa rejeição sobre
este tema. Porém, a falta de conhecermos nossas raízes históricas é um dos
grandes males que assolam nossa rica tradição confessional. Nela encontraremos
inúmeros documentos que foram escritos por pastores e teólogos ingleses e
americanos ao longo dos séculos XVII e XVIII que serviram para afirmar a fé
objetivamente e orientar o rebanho em igrejas locais.
A importância da confessionalidade na tradição Batista influenciou até mesmo a CBB (Convenção Batista Brasileira) através da Confissão de New Hampshire no início da década de 20 até meados dos anos 80 do século XX. A partir de então, os documentos confessionais foram perdendo sua relevância no meio batista.
Nestes documentos, embora houvesse algumas divergências, tais como
encontramos nos credos e confissões de outras tradições teológicas, ambos
serviram como base para deixar claro os pressupostos teológicos defendidos e
vividos por aquela igreja. O que encontramos hoje é um relativismo em assuntos
centrais da fé cristã como Deus, Cristo, Escrituras e a natureza caída do homem.
que vemos no nosso meio são igrejas teologicamente fracas, eclesiologicamente
pragmáticas e orientadas para o mercado corporativo ao invés da suficiência das
Escrituras. Entretanto, nesta altura é bom afirmar que os credos e confissões não
estão acima da Palavra do Senhor, porém é ingenuidade não entendermos a
relevância dos mesmos para uma igreja biblicamente saudável.
Quando olhamos para as Escrituras observamos diversas passagens que
apontam para importância de se confessar a fé. Conforme podemos observar em:
Dt 6:4-9; Nm 15:37-41; Rm 6.17; 1 Co 1.21; 11.2; 15.1-8; Gl 6.6; 2 Ts 2.13; 3.6; 1 Tm 3.16; Tt 1.9; 2 Jo 9-10, estas e outras passagens servem de fundamento para elaborarmos credos e confissões para as igrejas locais com o intuito de pastoreá-la de forma mais eficaz e de proteger o rebanho de falsos ensinos e heresias destrutivas que tem assolado a sociedade pós-moderna.
Sendo assim, penso que trazer à memória, resumidamente, um pouco de
nossa história poderá ser uma forma de encontrar o antídoto contra o vírus que
adentrou as igrejas através da sua perda da identidade confessional que marcou os
batistas ao longo do tempo.
A caminhada não é fácil, porém, parece-me de grande valor refletir sobre quem somos e para onde iremos como cristãos que amam e zelam por uma igreja Santa, Una, Católica e Apostólica.
Que o Senhor nos ilumine nesta labuta. Amém!
 
Marco Antônio Carvalho, Pastor da CBRio – Comunidade Batista do Rio em Campo Grande, RJ.

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