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10 de novembro de 2019 / carlostrapp

Somos bons cidadãos?

Vamos ver a nossa relação com o governo, o poder público.
Quando nascemos, os pais precisam fazer o registro de nascimento, onde consta o nome, o nome dos pais, o sexo, a data de nascimento.
Após, podemos fazer o nosso Cadastro de Pessoa Física (CPF). Também nossa Carteira de Identidade.
Aos 16 anos de idade, já podemos fazer o nosso Título de Eleitor.
Aos 18 anos, temos compromisso com as Forças Armadas e precisamos nos alistar, devendo ou não, servir o Exército, a Marinha ou a Aeronáutica, podendo servir durante um ano ou mais, abraçando a carreira militar.
Quando casamos, devemos registrar isso no Cartório para obter a Certidão de Casamento. Isso pode ser feito mediante o casamento na igreja, com efeito civil, ou no Cartório.
Quando morremos, alguém precisa registrar o óbito, no Cartório.
Durante a vida, quando adquirimos determinados bens, precisamos registrá-los. Também solicitar nota fiscal das nossas aquisições.
O trabalhador precisa ter sua Carteira de Trabalho, onde são registradas as atividades e a remuneração.
A pessoa de bem, ao adquirir uma arma, deve preencher certos requisitos, e depois registrá-la. Ela também pode procurar obter o porte da arma.
Para viajar, precisamos de Passaporte, dependendo do país para o qual nos dirigimos.
Para as nossas transações comerciais, precisamos de dinheiro, que devemos ganhar mediante trabalho, isso mediante cédulas que são emitidas pela Casa da Moeda, lembrando que hoje muitos negócios são realizados mediante cartões de débito/crédito.
O governo também pede de nós o pagamento de impostos e taxas, incluindo valores referentes a nossa aposentadoria.
Agora, vamos ver um pouco a atuação do governo.
Ele dá a concessão pública de cartórios onde podem ser feitos os registros dos quais falei.
Ele tem diversos Ministérios, através dos quais tem grande atuação na sociedade, como na saúde, segurança, transportes, educação, previdência, relações internacionais, agricultura, infraestrutura, meio ambiente, entre outros.
Lembro que o nosso governo é presidencialista e dividido em Três Poderes: Judiciário, Executivo e Legislativo. Possui 27 estados, onde atuam os mesmos poderes.
O Legislativo elabora as leis, que regula a vida em sociedade, isso tanto na área Federal, como na Estadual e Municipal.
Os Deputados Federais Constituintes elaboraram nossa Constituição Federal, em 1988, que já sofreu diversas emendas. Hoje, os Deputados Federais e Senadores elaboram leis e as aprovam, que podem ser sancionadas ou vetadas pelo Presidente.
Estou colocando essas informações aqui para vermos o tamanho do Estado e a nossa relação como o mesmo e para que saibamos da sua importância.
Com frequência tenho falado de que Deus criou três instituições: a família, a igreja e o estado. Se negligenciarmos uma delas, vamos andar como que mancando.
Como estamos tratando do governo e de como devemos nos portar em relação ao mesmo, primeiro, quero destacar que costumo dizer que a vida em sociedade não é possível sem governo, e que por isso precisamos participar da sua construção.
Falando em construção, no domingo passado, dia 06 de outubro, tivemos eleições para prefeito em um dos municípios do nosso estado, na qual destaco o índice de abstenção: cerca de 30%, demonstrando que um número razoável de pessoas não se interessou pela eleição, o que não é salutar, pois o eleitor omisso deixa outro escolher no lugar dele.
Destaco que em relação ao governo, devemos, principalmente, nos preocupar com as eleições, pois o sucesso de um país, estado ou município, depende grandemente de quem nós escolhemos para nos governar.
Por isso, em primeiro lugar, precisamos nos munir do Título de Eleitor; depois, acompanhar o noticiário para saber o que está acontecendo.
Quanto à eleição, devemos assistir/ouvir as propagandas eleitorais, além de obter material impresso para ver o que os candidatos propõe, para podermos escolher adequadamente, além de orar pelas eleições e, depois, pelos eleitos, e acompanhar suas atividades e cobrar ações justas.
Acrescento aqui que já fui candidato a vereador duas vezes, mas nas ocasiões em que não fui candidato, sempre escolhi candidatos e os ajudei voluntariamente, pois entendo, como já disse, que a escolha adequada dos nossos políticos é de fundamental importância, pois não adianta falar mal de político, se não participamos da sua escolha.
Falei acima do percentual de abstenções de uma eleição municipal, mas além do problema da abstenção, preciso citar outros, como o voto em branco e o nulo, que também deixam os outros escolherem os governantes. Alguém já disse: “Quem não gosta de política, será governado por quem gosta”. Eu quero alguém no governo escolhido por mim, e não, pelos outros.
A pergunta do título do artigo, questiona se somos bons cidadãos (com isso, não estou esquecendo o nosso compromisso com a família e a igreja, mas apenas destacando a relação com o estado), e o que estou escrevendo é para nos ajudar a responder a pergunta.
Então, cada um deve verificar se está sendo um bom cidadão, que tem seus documentos, que paga impostos, que cobra ações justas dos governantes, que procura se informar das ações públicas, que se porta adequadamente para não gerar dificuldades ao poder público, que é zeloso nas suas atividades, que intercede pelas autoridades.
Como podemos ver, o poder público tem grande importância em nossa vida. Acrescento que se o regime for totalitário, as pessoas, geralmente sofrem com isso, sendo mais um motivo para nossa preocupação com as eleições.
Falando em eleição, no ano que vem, se Deus quiser, vamos ter eleições para vereadores e prefeito, por isso, já devemos estar atentos como bons cidadãos.

Pr. Carlos Trapp

8 de setembro de 2019 / carlostrapp

Começo a ficar intolerante com os que se alegram com o fracasso do País

Há poucos dias, estava participando de um evento religioso. Aproveitei a ocasião para distribuir o jornal entre os presentes. Encontrei uma pessoa que enfaticamente não quis pegar o jornal. No momento eu não disse nada, mas alguns minutos após eu o procurei e lhe disse que fazia o jornal há mais de 20 anos e no caso de alguma recusa eu procurava saber o motivo. Ele me disse que “havia muita política no jornal”, e que isso “havia trazido problemas para a igreja”. Eu não fiquei conversando com ele, mas pensei sobre o assunto porque o jornal visa, principalmente, destacar a cidadania, por entender que há uma falha nesse ponto no meio evangélico e por isso até se chama de “Cidadão Evangélico”. Fiquei sabendo que a eleição passada trouxe alguma dificuldade para a igreja, assim como surgiram discussões entre familiares, colegas e amigos.
Mas isso não deve ser motivo para abandonar o boa política, pois a vida em sociedade não é possível sem governo. Por esse motivo também publico o artigo do jurista Ives Gandra da Silva Martins, conforme segue, para nossa instrução e que leva o título acima.
“Toda manhã, ao ler os jornais, hábito que os mais jovens criticam como próprio da velhice, consumo minha dose de irritação com o desenvolver dos acontecimentos e por ver que a periferia do que é relevante é sempre a matéria de maior destaque nas manchetes jornalísticas.
Uma das minhas irritações reside nas turbulências destes primeiros meses. Aspectos positivos não têm repercussão na mídia, como o da maior safra de grãos, o da entrada do capital estrangeiro na casa de quase US$ 100 bilhões, a existência de saldos altos na balança comercial, a inflação abaixo da média estabelecida, a possibilidade de queda dos juros, o fato de as reservas serem superiores a US$ 380 bilhões, o relatório favorável do FMI sobre o estado das contas públicas, o sucesso nas programações de infraestrutura, a assinatura de um acordo emperrado há 20 anos entre Mercosul e União Europeia, o avanço e a liderança entre as nações na defesa dos valores familiares, a manutenção do combate à corrupção, inclusive até no que demonstra, na linguagem popular, ser pé quente, a vitória da seleção brasileira na Copa América, após anos de insucesso internacional. Até a boicotada reforma previdenciária avança.
Reconheço que a equipe presidencial, sem o traquejo político da anterior, está aprendendo a “andar de bicicleta andando”, mas a busca, da imprensa, por desacertos em cada um dos menores incidentes, que ganham, assim, proporções descomunais, parecem torná-los mais importantes do que alguns dos aspectos relevantíssimos da evolução do país. De longe, para tais caçadores de insucessos, vale mais o que vale menos e vale menos o que vale mais.
Começo a ficar intolerante com os que se alegram com o fracasso do país e que se vangloriam em ver a nação afundar por força de suas, quase sempre, infundadas críticas.
Outra das minhas irritações diz respeito à fantástica cobertura que se dá ao crime cibernético. Um gangster digital invade a privacidade das pessoas, regiamente financiado, utiliza-se do sigilo da fonte para que um jornalista, a conta-gotas, vá revelando o produto de seu crime e tal crime e tal parceiro do criminoso são alcandorados pelos que dizem que a mídia vive das más notícias, pois as boas não vendem jornal. De tal maneira, nenhuma cobertura se dá à investigação dos delinquentes da privacidade alheia. Não compartilho da teoria de que os fins justificam os meios, pois gera uma enorme insegurança jurídica, e o ideal de justiça, que é o desiderato maior do Direito, fica pisoteado, transformando-se em uma briga mesquinha pelo poder entre amigos e inimigos.
Tudo isso para um velho advogado de 84 anos gera desconforto, pois, neste final de vida, percebo que o país terá ainda que evoluir muito para viver a democracia que desde os bancos acadêmicos minha turma almejava para o Brasil.
Impressiona-me a crítica cerrada de determinada imprensa a ter o presidente declarado que não financiará um filme que enaltece a prostituição como meio de vida, por entender que a família é a base da sociedade e o filme ser corrosivo e deletério aos valores da família. Ora, o que o presidente declarou é o que está na Constituição, ao dizer que a família é a base da sociedade (artigo 226 caput) e que os meios de comunicação deverão ser utilizados para a defesa dos valores éticos da família e da sociedade (artigo 221, inciso IV). Não tem o menor sentido gastar dinheiro do povo para divulgar prostituição. É de se lembrar que a queda das grandes civilizações deu-se quando os costumes se deterioraram, com as mulheres prostituindo-se nos templos da Babilônia para conseguirem dotes para seus casamentos, assim como com o relaxamento dos costumes em Atenas, que terminou perdendo a guerra do Peloponeso para Esparta, e com a degradação familiar no Império Romano Ocidental, como Políbio referiu-se em seus escritos. Ora, ao cumprir o que determina a Constituição, valorizando a família – criou, inclusive, uma Secretaria Nacional da Família -, está o governo cumprindo rigorosamente a lei suprema. É preferível gastar dinheiro do povo com a saúde e educação do que com filmes dessa natureza.
Concluo estas linhas afirmando que em nenhum momento defendo preferências de magistrados pelos membros do Ministério Público ou desequilíbrio de tratamento entre o parquet e advocacia, como demonstrei no livro que coordenei com Marcos da Costa, intitulado A Importância do Direito de Defesa para a Democracia e a Cidadania, com a colaboração de ilustres advogados e juristas brasileiros. Toda a verdade deve ser apurada. Entendo, todavia, que os brasileiros deveriam dar aos fatos conhecidos a sua devida relevância, sem riscos de manipulação, seja pelos criminosos cibernéticos, seja pelas autoridades dos Três Poderes, pela mídia, por partidos políticos ou pelos formadores de opinião. Só assim poderemos entregar a nossos filhos e netos um país melhor do que o que recebemos de nossos ancestrais.”

Pr. Carlos Trapp

1 de agosto de 2019 / carlostrapp

O dia que o pastor não foi à igreja

Com certa frequência aproveito textos que recebo pela internet, e como te-nho pouco espaço no jornal, aproveito-os aqui para divulgá-los. É o que vou fazer com o texto a seguir, com o título acima, tentando mostrar a importância da responsabilidade de cada um com a igreja onde participa, que não é apenas do pastor, mas de todos os membros.
Espero que isso ajude a cada um de nós a ver o privilégio que temos de participar das da nossa congregação e dar a nossa contribuição em relação à mesma.
Eis o texto, divulgado pelo Pr. Renato Cordeiro:
“Era um domingo muito bonito. Os pássaros gorjea-vam felizes. Tudo indicava que os cultos daquele dia seriam concorridos, com a presença maciça dos crentes.
Às 8h30, começaram a chegar os primeiros crentes. Podia-se perceber a alegria com que vinham a Casa de Deus. Às 9h em ponto, a diretora da EBD deu inicio ao trabalho. A congregação cantava animada: “Oh! vem, vem a igreja comigo, sim, vamos servir ao Senhor! Pois maior alegria não temos de que ter comunhão em amor”. Os que chegavam atrasados, iam se agrupando à porta de entrada do templo.
Na divisão das classes notaram algo estranho. A esposa do pastor, professora da classe das senhoras, não estava presente. O pastor também não estava à frente da classe de candidatos ao batismo. Na classe de adolescentes, perceberam a ausência dos filhos do pastor. Estranho. Tudo muito esquisito. O que teria acontecido à família do pastor?
O vice moderador estava doente, acamado. Mesmo assim, ao ser consultado, nada sabia sobre a ausência do pastor. Telefonaram para a residência pastoral. Ninguém atendia. Nunca havia acontecido algo semelhante.
Aproximava-se a hora do culto e o pastor não chegava. Ninguém sabia quem seria o pregador. Aliás, sequer havia alguém escalado para dirigir o culto. A diretora da EBD, muito sem jeito, comunicou à igreja a ausência do pastor. Leu um Salmo, fez uma oração e despediu os crentes. Estava terminado o culto matutino. Todos voltaram para os seus lares acabrunhados.
A ausência do pastor foi o assunto do almoço nas casas dos crentes. Várias hipóteses foram levantadas: Fôra chamado as pressas a casa de alguém? Estaria num hospital? Algum acidente?
Alguns crentes, resolve-ram dar uma chegada na casa pastoral. Ninguém atendia. Até que o vizinho deu uma surpreendente informação: “O pastor saiu hoje bem cedo com a família. Estava com uma vara de pescar e uma cesta de piquenique. Foi em direção ao litoral.” Ninguém acreditou.
Na hora do culto noturno, o pastor também não apareceu. Um irmão ficou plantado à porta da casa pastoral, aguardando novidades. As 8h da noite, aproximando-se um carro bem familiar. Era o pastor. Fisionomia cansada. Rosto queimado do sol. Os filhos com areia nos pés. Todos com roupas de banho.
“Pastor, hoje é domingo? O senhor esqueceu das atividades da igreja? Estão todos lá esperando o senhor!”, exclamou o irmão. Aquelas perguntas não removeram a tranquilidade do pastor. Sem respondê-las, entrou e mandou que o irmão aguardasse.
Tomou um banho, e depois veio conversar. Ouviu outro breve relatório do domingo: “Pastor, o culto da manhã ficou prejudicado pela sua ausência. O evangelismo à tarde foi feito com pouquíssimas pessoas. No culto da noite, ninguém sabia se podia contar com o irmão. O que aconteceu, pastor?”
“Não aconteceu nada”, disse seriamente o pastor. Prosseguiu: “Como ando cansado, resolvi imitar alguns irmãos da igreja. Utilizei o domingo do Senhor para fazer outras coisas. Imitei também alguns líderes que desaparecem sem dar qualquer explicação. Pensei comigo mesmo: ninguém sentirá a minha falta. Achei que, certamente, os outros crentes fariam a obra de Deus! Foi isso.”
Aquele irmão saiu pensativo da casa pastoral. Reco-nheceu que cada crente tem sua parcela de responsabilidade na obra de Deus. Conscientizou-se de que a obra não é apenas do pastor, mas de Deus. Viu como a indiferença, os atrasos desnecessários e as ausências injustificadas atra-palham o crescimento da igreja. Uma pergunta, entretanto, não lhe saía da mente: “Como andaria a igreja, se o pastor e os outros irmãos resolvessem imitar a minha vida?”
Templo constantemente fechado ou abarrotado de visitantes? Bancos vazios ou novas congregações e pontos de pregação? Homens amarados pelo pecado ou pessoas regeneradas, salvas por Cristo? Como estaria a sua igreja, se o Pastor e os outros crentes imitassem a sua vida?”
História muito clara para instruir a todos nós em relação à responsabilidade em relação à igreja.

Pr. Carlos Trapp

5 de julho de 2019 / carlostrapp

Ameaças à Liberdade Religiosa

Creio que boa parte dos leitores lembram da tramitação do PLC 122/06, que visava criminalizar manifestações contrárias à conduta homossexual. E graças a Deus e ao público cristão, tal projeto foi arquivado. Mas, está ressurgindo no Congresso, através do PL 672/19.
Por isso, novamente, nós brasileiros, precisamos reagir diante disso, pois sempre com a “justificativa” de lutar contra a violência em relação aos grupos LGBT, atingem a liberdade de pensamento, de expressão e de culto.
Esse foi um dos motivos pelos quais a Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB) e o Conselho Nacional de Pastores Evangélicos emitiram documentos manifestando sua contrariedade.
Também uma Comissão da da Convenção Batista Sul-Mato-Grossense, se manifestou, conforme segue:

Campo Grande, 03 de junho de 2019.
Exmos. Srs. Senadores, integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado da República Federativa do Brasil.
Cientes da Ideia Legislativa de número 48.820, que trata da Criminalização da discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, equiparando ao crime de Racismo, trazendo como justificativa de que a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais são vítimas das mais variadas formas de violência em razão da discriminação e preconceito por orientação sexual e identidade de gênero, propondo como solução que a homofobia, a lesbofobia, a bifobia e a transfobia devem ter o mesmo tratamento dado ao racismo, intolerância religiosa e xenofobia. Conclui dizendo que “o Estado brasileiro precisa proteger todas as pessoas de discriminação e preconceito”.
Também temos ciência de que essa Ideia Legislativa se tornou em Projeto de Lei de número 672/2019, que visa alterar a Lei de número 7716, de 05 de janeiro de 1989, que inclui na referida legislação os crimes de discriminação ou preconceito de orientação sexual e/ou identidade de gênero.
Como integrantes da Co-missão Fé, Cidadania e Ação Política da Convenção Batista Sul-Mato-Grossense (CBSM), composta por 362 pastores, 288 igrejas, que contam com mais de 36 mil membros, espalhados por todos os municípios de nosso Estado, vimos a público manifestar nossa opinião a respeito do assunto, dizendo:
a. Vivemos num Estado Democrático de Direito, onde todos tem a liberdade de fa-zerem suas escolhas na esfera pessoal e coletiva, desde que isso não fira a liberdade do outro;
b. Somos contra toda e qualquer tipo de agressão física ou verbal contra o ser humano;
c. Cabe às casas legislativas elaborar e votar leis que observem a isonomia, sem criar grupos especiais de pessoas com privilégios;
d. Querer criminalizar quem se opõe à prática homossexual é fazer o que se condena, ou seja, o preconceito e a discriminação, pois cada um tem direito de fazer seus questionamentos;
e. Equiparar a oposição ao movimento gay ao racismo é um erro grave, pois cada um nasce com uma cor de pele, e a conduta homossexual é uma escolha comportamental;
f. A manifestação quanto à conduta homossexual não pode se limitar apenas ao templo, pois cada ser humano é livre para expressar suas ideias e pensamentos na sociedade, onde estiver, e o meio que usar, deve ser livre para se manifestar, baseado na sua consciência cristã ou não, dentro dos limites da Lei, que deve ser justa;
g. A ideologia de gênero rejeitada na maioria das Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas fere a consciência de cerca de 80% da população considerada cristã no Brasil (católicos, evangélicos), pois acreditamos que a educação dos filhos é prerrogativa da família, sem interferência do Estado.
Isso posto, justificamos nossa oposição a esse Projeto de Lei, pois um dos elementos básicos da Democracia, que é a Liberdade Religiosa, que envolve liberdade de pensamento, de consciência e de culto, é cerceada.
Também justificamos nossa oposição porque já existem leis que protegem as pessoas, não havendo necessidade de criar grupos dentro da sociedade, pois todos devem ser vistos como iguais, enfim, como brasileiros.
Ainda justificamos nossa oposição baseada nos princípios judaico-cristãos que subsidiam a nossa formação sócio cultural e religiosa em que acreditamos que Deus criou homem e mulher, macho e fêmea, sendo que todos somos frutos da heterossexualidade, e que a sociedade se perpetua pela união de um homem e de uma mulher, e que essa crença não deve ser vista com preconceito, com discriminação, mas protegida, e sem a chamada ideologia de gênero, que deseja incutir na criança uma conduta diversa da natural.
Precisa ser acrescentado aqui também que toda espécie de violência deve ser combatida, mas isso não pode afetar a liberdade de pensamento religioso, não pode ferir o direito do outro, que não contribui com a violência contra quem quer que seja.
Por fim, manifestamos nosso compromisso de cristãos e cidadãos de lutarmos por uma sociedade sem violência; sem preconceito; sem discriminação; com valores, como a família, onde a pessoa pode ser concebida, gestada, dada à luz, amamentada e cuidada, enfim, onde pode acontecer a realização da vida. E ainda sempre interceder por todas as autoridades, pois assim preconiza a Palavra de Deus, que também nos orienta quanto à conduta sexual e o amor ao próximo.
Assim sendo, solicitamos, encarecidamente, o arquivamento desse Projeto de Lei, pelos motivos acima expostos.
Comissão Fé, Cidadania e Ação Política da CBSM.

Dr. Luiz Ovando, presidente; Pr. Sérgio Nogueira, relator; Membros: Pr. Carlos Osmar Trapp, Pr. Dinart José de Souza, Pr. Robson Jubrica, Rosinildo de Oliveira, Sílvio Cesar Davalos. Assessor: Pr. Paulo José da Silva.

Pr. Carlos Trapp

5 de julho de 2019 / carlostrapp

Cuide de suas obras: Abençoe vidas!

“O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos da iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu…” (Tito 2.14).
A salvação é pela graça, mas a evidência dela é pelas obras.
A salvação é a obra que Deus fez por nós; as obras são as ações de bondade que Deus faz através de nós.
Nós não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras.
As obras não são a causa da nossa salvação, mas o seu resultado.
Não praticamos boas obras para alcançar o favor de Deus; fazemo-las para demonstrar nossa gratidão a Ele.
A salvação é pela graça mediante a fé, independentemente das boas obras, mas a fé salvadora nunca vem só.
A fé sem obras é morta, mas as obras evidenciam a fé.
Quando os homens veem as nossas boas obras tornam-se gratos e glorificam ao Pai que está no céu.
Quando fazemos o bem aos homens na terra, Deus é glorificado no céu.
Por essa causa, o apóstolo Paulo diz que devemos ser ricos de boas obras, em vez de acumularmos os recursos que Deus coloca em nossas mãos apenas para o nosso deleite.
Deus nos salvou pela fé para sermos um povo zeloso de boas obras.
A fé nos justifica diante de Deus e as obras nos justificam diante dos homens.
Os homens não podem ver nossa fé, mas não podem deixar de ver nossas obras.
Que a nossa família seja uma agência da generosidade de Deus na terra; uma família de portas e mãos abertas para abençoar as pessoas, seja de perto ou de longe.

Luz para o caminho

11 de junho de 2019 / carlostrapp

O mundo não é tão maternal

No dia 12 de maio, comemoramos o Dia das Mães. Escrevi algo sobre isso que foi publicado num site de notícias e que repassei para meus contatos no Facebook e no WhatsApp, destacando a importância da minha mamãe, que era sentido, principalmente, quando ela ficava acamada e que a gente precisava “se virar”, quando criança.

Nesse dia, vi muitas mensagens circulando pelas redes sociais, todas procurando homenagear as mães. Isso é muito bom; melhor ainda lembrar da mãe com carinho, todos os dias.

E falando em redes sociais, vou publicar uma crônica que o pastor Inaldo Almeida Borba divulgou, de autoria de Martha Medeiros, sob o título “O mundo não é tão maternal”, fazendo uma comparação entre o mundo e as mães, conforme segue:

“É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto.
Quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela, mas é um erro de avaliação.

Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.

O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se viramos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu, não o nosso.

O mundo quer que a gente torre nossa grana, que a gente compre um apartamento que vai nos deixar endividados, que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito.

Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, nossos dentes, nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.

O mundo nos olha superficialmente. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento.

O mundo quer que sejamos lindos, magros e vitoriosos para enfeitar a ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta.

O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.

O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades.

O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui.

O mundo não tem doçura, não tem paciência, não nos escuta.

O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego.

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo nos exige eficiência máxima, seleciona os mais bem dotados e cobra caro pelo seu tempo. Mãe é de graça.”

Achei muito interessante essa comparação que a cronista faz entre as mães e o mundo, o que é um grande motivo para valorizar, honrar as nossas mães.

Agora, eu quero acrescentar algo sobre o comportamento das mães por causa da sua importância, pois se a mãe não educar corretamente o filho poderá levá-lo a caminhos tortuosos.

Para isso, quero contar uma pequena história que se deu com mãe e filho, nos Estados Unidos.

O filho foi condenado à morte, e como ele poderia expressar seu último pedido, ele disse que queria ver sua mãe, antes de ser executado, no que foi atendido.

Ao entrar na sala de execução o filho solicitou que ela se aproximasse dele, pois queria lhe dar um beijo.

A mãe se aproximou e ao invés do filho lhe dar um beijo, ele a mordeu.

Depois, explicou o motivo daquele gesto, dizendo que ela era a culpa de de ele estar sentenciado à morte, porque ela, quando ele era pequeno, praticando pequenos furtos, entre outras malcriações, não o corrigia.

Claro que preciso incluir também o pai, enfim, os pais, pois ambos são responsáveis pela educação dos seus filhos, dizendo da grande importância de ajudar os filhos a trilhar nos caminhos de Deus, conforme diz a Bíblia em Efésios 6.4, que diz o seguinte: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”.

O que também devemos combater é a rejeição em relação aos filhos, pensando que eles são difíceis de educar, de lidar com eles.

Muitos pais, de fato, têm dificuldades com os filhos, pois não sabem mais lidar com eles, achando que não podem mais usar a vara quando necessário, sofrendo, terrivelmente com a desobediência com os filhos. Mas a Bíblia diz: “Corrige o teu filho e te dará descanso, dará delícias à tua alma” (Pv 29.17). O que não convém é ralhar com o filho, mas ser sereno e enérgico. Veja mais este texto de Provérbios: “O que retêm a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (13.24).

Por amor à família!

Pr. Carlos Trapp

8 de maio de 2019 / carlostrapp

As redes sociais

Quero, inicialmente, falar um pouco sobre minha trajetória até o advento das redes sociais:
Nasci no RS, numa região onde praticamente todos falavam Alemão.

Rádio adquirimos somente quando eu tinha uns nove anos de idade. Era um enorme rádio à pilha, mas que dava para ouvir emissoras do exterior, através das ondas curtas.

Televisor não tínhamos, pois nem havia energia elétrica naquela região no interior, até nossa mudança para o município de Santa Helena, no Paraná, em 1970, onde fomos morar no meio do mato, para onde levamos nosso rádio à pilha, pois também não havia energia elétrica.

Em 1977, fomos morar do interior para o distrito de São Clemente, onde, pela primeira vez, conseguimos instalar energia elétrica em nossa casa, mas a TV e o telefone demo-raram um pouco para chegar. Primeiro, foi o telefone, para poder me comunicar com minha mãe, pois já estava estudando no Seminário Batista em Dourados, MS (1987-1990); depois, comprei uma TV para ela quando já estava morando em Campo Grande, isso por volta de 1992.

Foi em 1994, que comprei uma TV para mim, e que foi instalada no quarto do internato do Seminário Batista do Oeste do Brasil, onde morava.

Nesse período de internato, também comprei um telefone fixo, mas que não consegui usar, por questão de logística (também era mais para um investimento).

Em 1997, fui morar no apartamento que comprei através da Cooperativa Ha-bitacional Evangélica, aqui em Campo Grande, e transferi meu telefone para o apartamento.

Meu primeiro celular comprei em 2000. Era analógico e um “baita tijolo”, como hoje dizem, mas moderno à época.
Como morava sozinho, aplicava bastante dinheiro com os dois aparelhos telefônicos para me comunicar.

Logo surgiram celulares mais sofisticados com internet, whatsapp, email, facebook, instagram, telegram etc.

Mas eu também comprei um computador que, à época, não tinha internet, mas logo comprei um e instalei internet que ainda era discada, para, logo em seguida, colocar banda larga.

Devido ao fato de fazer um jornal (esse que você está lendo), uso bastante os meios de comunicação.

Mas também uso bastante o whatsapp, por exemplo, para fazer parte de grupos, me comunicar através de listas de transmissão, ter facebook, email, e assim por diante.

E sobre esses meios, chamados de redes sociais, quero fazer algumas considerações, dizendo, primeiro, que meu celular até já está travando por causa das mensagens que recebo e envio.

Dou graças a Deus por esses meios pelos quais a gente consegue se comunicar com grande velocidade e baixo custo.

Agora, tenho observado que alguns saem de grupos dizendo que “não há nada edificante nos mesmos”. Ora, fico com a impressão que a pessoa somente quer receber, pois os grupos são para a gente contribuir, não apenas para receber.

Então, que a gente possa ter em mente o que Jesus diz a respeito dos seus seguidores: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7.38).

Então, o que Jesus está dizendo? Que os cristãos têm algo a dar, a contribuir. Então, vamos participar de grupos, usar as redes sociais para compartilhar coisas boas, transmitir aos outros o que é conveniente.

Para que isso aconteça devemos adotar alguns critérios, ou seja, cuidar para não repassar algo que não seja verdadeiro, evitar passar adiante material e solicitar que o receptor o envie de volta, imagens que transmitem violência, entre tantas outras coisas a evitar, pois há muitas coisas boas para postar.

Agora, também é necessário ter alguns cuidados com a saúde, cuidando do tempo no qual ficamos diante do computador, do tablet, do celular; se estamos no posição correta, pois se inclinamos a cabeça ao usar o celular podemos ficar com dores na região da nuca. Também devemos cuidar se estamos piscando o suficiente ao usar os aparelhos móveis, pois quando piscamos lubrificamos os olhos (o fato de eles arderem é por falta de lubrificação).
Que Deus nos ajude a usar de forma altruísta essas redes que nós temos para nos comunicar.

Que Ele nos dê sabedoria para abençoar o nosso semelhante com textos, áudios, vídeos e imagens edificantes!

Pr. Carlos Trapp

21 de abril de 2019 / carlostrapp

Páscoa, vitória sobre a morte!

A Páscoa era a primeira das três festas anuais em que todos os homens tinham a obrigação de comparecer no santuário (Êx 23.14-17). A Páscoa é associada com a festa dos pães asmos, a semana durante a qual a levedura era rigidamente excluída da dieta dos hebreus (Êx 23.15).

A Páscoa histórica relaciona-se com a décima praga – a morte dos primogênitos no Egito. Israel recebeu a ordem de preparar um cordeiro para cada lar. O sangue devia ser aplicado na verga e nas ombreiras das portas (Êx 12.7). O sinal do sangue garantiria a segurança de cada casa assim indicada.

Os cordeiros da Páscoa eram mortos e depois de assados, eram comidos com pães asmos e ervas amargas (Êx 12.8), enfatizando a necessidade de uma saída apressada e relembrando a amarga escravidão no Egito (Dt 16.3). Isso era uma observância familiar, e no caso de uma família pequena, os vizinhos podiam ser convidados para compartilharem da refeição pascal.

A experiência da Páscoa devia ser repetida a cada ano, como forma de instrução para as gerações futuras (Êx 12.24-27).

A morte de Cristo na época da Páscoa era considerada significativa pela igreja primitiva. Paulo chama Cristo de “nossa Páscoa” (1Co 5.7), pois foi morto como “como cordeiro de Deus”, para nos redimir dos nossos pecados. Assim como o sangue do cordeiro colocado nos umbrais das portas dos israelitas no Egito os livrava da morte, assim o sangue de Cristo nos livra da condenação eterna.

Então, estamos na semana chamada santa, que para mim é como todas as outras, mas na qual comemoramos a morte e ressurreição de Jesus. Hoje, é lembrada a Ceia que Jesus celebrou com seus discípulos, que foi instituída para que lembrassem que Cristo deu seu corpo e sangue para salvação da humanidade. Já no domingo, é comemorada a ressurreição de Jesus.

Vejam este relato: “Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: — Não tenham medo! Sei que vocês procuram Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito […]. Agora vão depressa e digam aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos” (Mt 28.5-7).

No domingo, após a crucificação e a morte de Jesus, algumas mulheres foram até o sepulcro onde o corpo de Jesus havia sido sepultado. O que parecia ser a despedida final, a última oportunidade de estar com Jesus, foi, na verdade, um recomeço. A pedra estava removida e o corpo de Jesus não estava lá. Ele havia ressuscitado. Assim, as mulheres testemunharam a derrota do poder da morte. A vida venceu.

Páscoa: festa da ressurreição! Festa da vida! Portanto, a Páscoa é o tempo de anunciar que a morte foi vencida. O sofrimento que Jesus Cristo experimentou ficou para trás. Em Cristo, Deus venceu a morte para nos salvar e nos colocar novamente no caminho da fé e da esperança.

Devemos exclamar que a Páscoa é festa da vida e da esperança! Cristo ressuscitou para que nós também possamos ressuscitar!

A Ceia do Senhor, que os cristãos, geralmente, comemoram mensalmente, em seus cultos, são para nos lembrar do grande de amor de Deus manifestado em Cristo Jesus pela humanidade. E isso é para ser feito, “até que Ele venha.”, ou seja, até a segunda vinda de Cristo.

Creiamos nisso, e vivamos gratos a esse imensurável amor Deus, que venceu o pecado e a morte, em nosso favor!

Carlos Trapp, pastor batista (OPBB/3650) e jornalista (DRT/MS, 928).

Nota: Com informações do livro Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, vol. III, verbete Páscoa. Edições Vida Nova, 1990.

31 de março de 2019 / carlostrapp

Carnaval: Faz bem ou mal?

Eu e minha esposa costumamos levantar às 05h40 para ouvir um programa religioso de cinco minutos e, em seguida, as notícias pela TV.

No dia 04 de março, ao ligar a TV só estavam passando imagens e informações sobre o carnaval, na emissora pela qual costumamos assistir notícias. Parece que os foliões ficaram a noite toda no sambódromo, o que faz mal à saúde.

Depois de tomar o café da manhã, fui à lotérica e a encontrei fechada. Os bancos também estão fechados. O poder público, também. Quer dizer que podemos nos dar ao luxo de ficar parados durante alguns dias, para depois nos lamentar com o Produto Interno Bruto, com desempenho pífio?

Mas o que eu quero destacar é a influência do carnaval, pois digo que ele faz mal. Vejam: No carnaval a ideia que se tem é que há uma licença, uma permissão para extravasar, para passar dos limites, enfim, é uma festa da licenciosidade, embora tenha surgido a questão de não forçar um beijo, por exemplo.

O próprio poder público tem parte na culpa dessa permissividade, pois distribui milhões de camisinhas para as pessoas fazerem sexo, enfim, estimula a promiscuidade. Até tem um embaixador para a campanha do “use camisinha” que tem como lema “Pare, pense e use camisinha”, tudo patrocinado pelo SUS, e capitaneado pelo nosso Ministro da Saúde.

Mas vamos ver como essa mentalidade, que campeia no carnaval, tem influência em nossa sociedade. Pessoas não estacionam, frequentemente, em qualquer lugar? Não se apropriam do que não é delas? Passam dos limites quanto à velocidade no trânsito? Bebem excessivamente? Não sonegam impostos? Enfim, a lista da permissividade é longa.

Outro aspecto nocivo que podemos ver é que o carnaval é uma festa egoísta, onde se pensa em satisfazer desejos pessoais, não se pensa em generosidade, ajuda ao semelhante. Além disso, dinheiro público que deveria ser aplicado em questões de interesse geral, como saúde, segurança e educação, é gasto nessa diversão nociva.

E para evitar críticas indevidas, quero destacar a campanha do “use camisinha” como algo nocivo, contando um fato que aconteceu há cerca de dez anos: Liguei a TV, em determinada manhã, e vi, numa sala, um grupo de adolescentes, sendo instruídos por um médico famoso, quanto ao uso de camisinhas masculinas e femininas. No final do programa, forneceram o telefone do Ministério da Saúde, de Brasília. Liguei para o número e uma senhora de cerca de 25 anos de idade me atendeu. Falei da inconveniência de estimular adolescentes a fazerem sexo. Mas a mulher não aceitava minha argumentação, ao que eu disse: Quer dizer, então, que posso passar num órgão público, pegar meia dúzia de camisinhas, ir à Brasília, e fazer sexo com você? Ao que ela retrucou, dizendo que eu estava sendo “inconveniente” com ela. Ao que repliquei dizendo que era justamente isso que desejava ouvir dela, para mostrar a inconveniência dessa campanha, ao que, por fim, ela me deu razão.

Então, a campanha do “use camisinha” é uma ação sem ética, pois transmite a ideia de que não precisa haver limites, respeito, consideração, sendo, por isso, nociva, assim como o carnaval, pois incute na população a permissividade, a falta de limites.

Por isso, vamos nos conscientizar de que o carnaval faz mal, e aplicar o nosso tempo e as nossas energias em ações salutares, fraternas e produtivas.

Pr. Carlos Trapp

9 de março de 2019 / carlostrapp

Separação dos Poderes, Ditadura e Democracia

Está sendo votado no Supremo Tribunal Federal (STF) a chamada criminalização da “homofobia”. As atividades começaram na semana passada e devem continuar hoje, dia 20 de fevereiro.

O fato tem chamado à atenção, principalmente, de grupos cristãos, pois veem com preocupação tal atividade, porque pode afetar a liberdade religiosa. Por causa disso, cristãos tem se manifestado a respeito do assunto.

Por isso, destaco, resumidamente, um documento do Juiz Federal, Professor, Mestre em Direito e Pós-Graduado em Políticas Públicas e Governo, William Douglas, e de Rogério Greco, que é Procurador de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, Pós-Doutor, Doutor e Mestre em Direito, conforme segue:

Separação dos Poderes, Ditadura e Democracia
Foi veiculado nos meios de comunicação jurídicos que está pautado o julgamento da ADO 26 e do Mandado de Injunção 4.733 para o dia 13/2/2019. Nestas ações, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros – ABLGBT e o Partido Popular Socialista – PPS querem que o STF declare a omissão do Congresso em legislar, de maneira que pedem ao Supremo para criar o crime de homofobia por meio de analogia ao crime de racismo. A consequência prática é que o STF inseriria na figura típica do crime de racismo, por sinal imprescritível e inafiançável, a homofobia. Vale começar dizendo isso: somos contra a homofobia. Pensamos também que ao se legislar sobre ela deve ser feita a distinção entre homofobia (algo reprovável) e opinião e expressão do pensamento (que são direitos humanos).

A questão, no âmbito jurídico, é que o pedido afronta o art. 2º da Constituição que trata da separação dos Poderes, que devem atuar em harmonia. É óbvio que NÃO cabe ao STF fazer leis, por mais que algum (ou vários) Ministro possa gostar ou querer essa oportunidade. O STF é fruto da CF e seu guardião, não pode agir como se fosse seu dono ou desrespeitá-la a seu bel-prazer. Quem quer fazer leis deve se submeter ao tormentoso e difícil escrutínio do voto popular.

A matéria é de Direito Constitucional e de Direito Penal também, além de tratar de direitos e garantias fundamentais: a Constituição Federal é extremamente clara em seu art. 5º, XXXIX: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”. Estamos diante de uma norma que é cláusula pétrea (art. 60, § 4º, da CF), não podendo ser objeto sequer de emenda constitucional. Só a lei pode criar crime, nunca uma decisão judicial, mesmo que do STF.

Ao Congresso cabe a tarefa de definir “homofobia” e sua extensão.

Qualquer estudante no início da faculdade de Direito sabe que não é possível que o Judiciário crie um tipo penal, muito menos existe a possibilidade de analogia in malam partem, ou seja, uma extensão, uma equiparação, onde se insere por equiparação a um crime uma outra situação não prevista como tal. A lei do racismo é bem clara: “Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Não há previsão de homofobia. Qualquer interpretação fora do texto viola a legalidade (art. 5º, caput, da CF), que é princípio caro ao Direito Penal e é também um Direito Fundamental do cidadão.

É sem dúvida odiosa qualquer conduta que crie ou estimule preconceito ou discriminação contra a população LGBT, devendo o autor responder, se for o caso, nos termos dos crimes já previstos de injúria e difamação, bem como na esfera civil. Um Ministro do STF, por mais bem-intencionado que possa estar, não pode rasgar a Constituição. Onze ministros não podem querer exercer a função para a qual foram eleitos 81 Senadores e 513 Deputados Federais, os quais têm a legitimidade para re-presentar os diversos segmentos da sociedade.

A questão é ainda mais sensível por termos eventual colidência com direitos humanos como os da liberdade de opinião, de expressão de pensamento, liberdade religiosa, liberdade de consciência e/ou liberdade de cátedra. Atualmente, vemos que opiniões acadêmicas, filosóficas, culturais, religiosas e outras, protegidas por direitos humanos reconhecidos universalmente, vêm sendo acusadas de serem homofóbicas. Há questões científicas envolvidas também. Por exemplo, ser contra a ideologia de gênero ou intervenções cirúrgicas em crianças e adolescentes pode ser visto como homofobia. Os livros religiosos de judeus, muçulmanos e cristãos têm textos expressos em que tratam da homossexualidade e não cabe ao STF criminalizar nada, ainda mais em tema onde apenas o debate sereno e no lugar próprio pode trazer solução adequada. Esses temas já estão levantados no Congresso e demandam grande cautela, para que não se criminalize a opinião, não haja crime de hermenêutica e muito menos se proíba alguém de ler e seguir seus respectivos textos sagrados, de pesquisar e produzir seus textos científicos ou filosóficos, e a todos de expressarem suas opiniões.

Há um grande abismo entre homofobia e opinião, cabendo ao Congresso, por meio de representantes eleitos, através do debate entre pessoas eleitas pelo povo, resolver esse desafio. É o que diz a Constituição. Quem quiser resolver esse assunto deve procurar o Congresso, jamais o STF. Sem isso, morre a democracia e nasce uma ditadura do STF.
É no mínimo contraditório que o STF permita esse descalabro jurídico quando a Corte tem diversos posicionamentos pró-direitos humanos e em favor das liberdades. No momento atual em que o país precisa de serenidade e união para enfrentar os atuais desafios esse tipo de pauta é um desserviço à democracia e só acirra a tensão entre os Poderes sem nada contribuir para a Nação. Há projetos de lei tramitando que podem criminalizar a homofobia (PL 122/2006 e Projeto de Código Penal), mas esta é questão a ser discutida no Parlamento, com os representantes do povo e a própria sociedade civil.

Quando um Poder extrapola suas competências e começa a impor sua vontade a outros e ao povo, agindo à margem da Constituição, começamos a ingressar em um campo perigoso. As ditaduras e a morte das democracias podem ter sua gênese em comportamentos de qualquer dos Poderes.

Esperamos que o STF tome a decisão correta e não crie um conflito sem sentido com o Congresso e com a sociedade, em respeito à Constituição Federal, a si mesmo, aos demais Poderes e à democracia.

Pr. Carlos Trapp