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7 de dezembro de 2018 / carlostrapp

Uma justiça que satisfaz

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mt 5.16).

Justiça é um clamor que vem de todos os segmentos sociais de nosso tempo. O trabalhador quer justiça na paga do seu trabalho. O que perdeu um familiar, vitimado pela irracionalidade ou inconsequência de alguém, exige justiça na punição do culpado. Justiça social é outra expressão que ganha corpo em meio às crescentes desigualdades entre ricos e pobres. Os homens, com frequência, declaram a sua autojustiça, coletam méritos, e se proclamam justos aos seus próprios olhos.

Os discípulos, os humildes de espírito, que choram e são mansos, renunciam não somente aos seus direitos, como também a esta falsa pretensão de justiça própria. São pessoas realistas: não possuem nada a apresentar diante de Deus. Tem fome e sede, e estão de mãos vazias. Sabem que, se submetidas ao esquadro de Deus, serão achadas fora de linha, em descompasso e em falta para com a vontade de Deus.
Os desejos gerados pela fome e pela sede são de difícil controle. E ressurgem a cada novo dia, ainda que satisfeitos. Por isso Cristo diz, no “Sermão do Monte”, que os que têm fome e sede de justiça – desejo incontido e renova-do – serão fartos. Mas, o que seria essa justiça de que fala Jesus? Essa justiça é o atributo daquele que é declarado “justo”, sem culpa, pelo eterno Juiz, de acordo com a sua norma de direito. É a capacidade de declarar inocente ao culpado. Nenhum homem, por melhor que se julgue, é capaz de cumprir os requisitos da justiça divina. Mas essa justiça é atribuída por causa da morte substitutiva de Cristo. Com o seu sacrifício, Cristo satisfez a exigência da justiça divina em nosso lugar e agora nos transfere a sua perfeita justiça. E pela fé nos apropriamos dessa justiça.
Por isso Cristo diz que todo aquele que buscar a sua justiça, como o faminto busca o pão e o sedento busca a água, esse será farto, receberá esse presente de Deus.

Se quisermos apresentar diante de Deus a lista dos nossos méritos e brandirmos ante os seus olhos a nossa justiça pessoal, seguramente seremos reprovados. Mas se nos apresentarmos diante do Pai armados com a justiça que Cristo conquistou em nosso lugar, ele nos abrirá as portas do céu e nos receberá com alegria na ternura do seu coração e no aconchego caloroso de seus braços. A mesa da justiça de Deus está posta, farta, abundante, plena. Cristo já pagou a conta com o Pai. Quer que joguemos ao lixo a nossa pobre autojustiça, nos sentemos à sua mesa para recebermos o presente que ele nos dá: sua justiça, vida, perdão e salvação. E para a sua festa todos são convidados – inclusive você! Amém!

Romeu Müller, pastor luterano

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