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29 de julho de 2013 / carlostrapp

Casais estão adiando os filhos e sofrendo as consequências

Em outubro, um homem chamado Ramjeet Raghav teve um filho com a esposa, Shakuntala. A história virou notícia pelo mundo porque Raghav afirma ter 96 anos de idade, o que faria dele o homem vivo mais velho a conceber uma criança. Perdido entre os questionamentos sobre sua idade está o fato de que sua esposa tinha 53 anos quando o segundo filho nasceu.

A Índia não é o único lugar onde os novos pais estão ficando mais velhos. Em uma recente reportagem de capa da revista New Republic, Judith Shulevitz destaca que ter filhos “muito mais tarde do que se costumava ter” se tornou “perfeitamente normal” para a maioria dos americanos.

Mas “normal” não é o mesmo que ”inofensivo”, motivo pelo qual seu artigo está intitulado “Como a Paternidade Tardia Irá Subverter a Sociedade Americana”.

O que irá “subverter” nossa sociedade não são casos atípicos, como Larry King se tornando pai aos 66; são inúmeros americanos adiando os filhos até meados dos 30 ou até 40 anos.

Desde 1970, a média de idade para o primeiro filho das mulheres americanas aumentou em quatro anos: De 21,5 para 25,4 anos. A média de idade para a primeira paternidade agora é de 28 anos.

Pode não parecer relevante, mas as médias podem enganar: uma mulher com nível superior possui três vezes mais chances de ter seu primeiro filho aos 30 do que as outras. Trinta pro cento delas adiam os filhos até a casa dos 30.

Ainda mais impressionante é o fato de que “enquanto a taxa de natalidade nos EUA despenca devido à recessão, apenas os homens e mulheres com mais de 40 continuam tendo mais filhos do que no passado”.

De acordo com Shulevitz, estamos em meio a um “experimento natural” que irá medir o impacto de “sistemas reprodutivos envelhecidos e do ávido consumo de tratamentos de fertilidade” na vida familiar.

Os resultados não serão totalmente entendidos por um longo tempo, mas o que já sabemos, conforme constata Shulevitz, “deve nos alertar mais do que já o faz”.
Isso se deve ao fato de que há uma correlação bem estabelecida entre a idade da mãe e anormalidades cromos-sômicas: uma criança nascida de uma mulher na casa dos 40 possui de 15 a 20 vezes mais probabilidade de sofrer de anormalidades do que uma nascida de uma mãe na casa dos 20.

E há a ligação menos conhecida entre a idade dos pais e doenças mentais: “homens com mais de 50 anos possuem três vezes mais chances do que homens abaixo dos 25 anos de ter filhos esquizo-frênicos”. No início do mês, a revista britânica Nature publicou um estudo que concluiu que “o número maior de pais mais velhos poderia explicar o aumento de 78% nos casos de autismo na última década”.

Esses resultados são controversos, para dizer o mínimo. Mas o que não é controverso é o fato de que adiar os filhos aumenta os riscos à saúde deles. É o que Shulevitz chamou de “um círculo vicioso do declínio da fertilidade . . . e o dano causado pelas tecnologias de reprodução assistida” estava criando uma geração de crianças “fenoti-picamente e quimicamente diferentes” das gerações anteriores.

Mas apesar dos inegáveis riscos, nossa cultura trata esse fenômeno como um “triunfo”. A tecnologia “libertou” tanto o homem quanto a mulher de fazer escolhas difíceis.

Exceto que isso não é verdade: a natureza não é infinitamente maleável para se conformar de acordo com nossos caprichos egoístas. A biologia dará a palavra final, mesmo se os que agora lutam contra ela não estiverem mais aqui quando ela cobrar a conta.

John Stonestreet
http://www.juliosevero.com

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