O Alzheimer, a Ciência e a Fé
Sempre que tenho o privilégio de escrever o Editorial, gosto de abordar temas da atualidade ou datas comemorativas, mas sempre com o desejo de aprendermos juntos e de levar o leitor a refletir sobre a importância de Deus em tudo que envolve a nossa vida, afinal, fomos criados para o louvor da Sua glória!
O mês de setembro é considerado o Mês Mundial do Alzheimer, sendo que o dia 21 de setembro é o Dia Mundial da Doença de Alzheimer e o Dia Nacional da Conscientização da Doença de Alzheimer, cujo tema deste ano é: “Nunca é cedo demais, nunca é tarde demais”.
Enquanto estou aqui escrevendo, tenho a minha mãe, Lucia, sentada pertinho de mim, e ela é portadora da Doença de Alzheimer (DA).
Meu marido e eu trabalhamos em casa e somos autônomos. Isso nos possibilita produzirmos, estarmos juntos e cuidarmos dela. Como resultado, temos vivido dias felizes, mesmo em meio às lutas.
Em minhas redes sociais e também aqui no jornal, já compartilhei um pouco da nossa experiência no cuidado com minha mãe, que mora conosco desde 2019.
Mas hoje, quero compartilhar a nossa experiência no campo da Ciência, no uso dos fármacos, e também sobre a fé, ou seja, o que a Palavra de Deus tem falado ao meu coração nos momentos de aflição que passamos no cuidado com a mamãe.
Sabemos que essa doença não tem cura, é degenerativa, portanto, os sintomas avançam com o tempo.
Em 2020, presenciei a primeira crise de alucinação da minha mãe. Ela simplesmente acordou, não me reconheceu, achava que eu não era a Simone, sua filha, entre outras coisas que ela começou a me falar, mas que eu tentava provar que ela estava enganada, mostrando fotos, objetos e tentando explicar, mas nada a convencia, para ela, eu é quem estava “fora da casinha”.
Embora seja um comportamento normal para quem tem DA, era algo novo para mim, pois era a primeira vez que isso acontecia, desde que veio morar conosco.
Ela foi ficando cada vez mais agitada, começou a ver pessoas que ela conviveu no passado, me chamava pelo nome da minha prima, achava que estava em outro local, enfim, um turbilhão de coisas que eu não estava acostumada e isso durou quase dois dias e duas noites.
Ao levar minha mãe ao neurologista, ele desconfiou que ela poderia estar com infecção urinária, pois isso pode intensificar a confusão mental. Algo que se confirmou com o exame de urina. Foi tratada com antibióticos e ela não teve mais esse tipo de crise naquele ano.
Mas ao chegar em 2021 as crises voltaram, mesmo sem apresentar infecção urinária, ela tinha alucinações e eu fiquei um tanto desesperada atrás de um medicamento que pudesse tirá-la daquela situação, que era bem desgastante, tanto para ela, como para meu marido, para mim e até para os vizinhos, que ouviam gritos nas madrugadas, pois não tínhamos como controlar, pois ela se encontrava em uma situação aflitiva, vendo coisas que não condiziam com a realidade, enfim, algo que só quem conhece isso de perto, vai entender.
Na época, o médico receitou dois medicamentos, que, infelizmente, não surtiram resultados, porém, os efeitos colaterais, eram piores, então, paramos com os medicamentos.
Aqui em casa somos naturalistas e comecei a pesquisar sobre tratamentos não farmacológicos e dicas para o dia a dia, para com isso saber lidar melhor com a situação e fui vendo que isso era possível.
Em 2021, eu também estava fazendo a minha leitura bíblica anual e quando estava lendo 2 Crônicas 16.12, onde fala que o rei Asa confiou mais nos médicos e não recorreu a Deus, eu me dei conta que eu não estava buscando em Deus uma solução para as crises da mamãe. Eu precisava de alívio também em minha alma, algo que só Deus pode dar, e esse versículo foi um divisor de águas e comecei a enfrentar a situação confiando e recorrendo a Deus, em primeiro lugar.
E as crises de alucinações continuam. Tem dia que estou mais cansada, exausta, mas tenho encontrado alívio no Senhor. E o que também muito nos alegra (a mim e ao meu marido) é que a doença não afetou a fé de minha mãe, pois ela continua amando a Deus mesmo quando está um pouco confusa, pois Jesus é tudo para ela! Fala do Evangelho a todos que encontra, incluindo os médicos, e pergunta se a pessoa é de Jesus. Ela não se esquece do seu Salvador em momento algum!
A cada dia ela fica mais esquecida, com mais dificuldade para andar, pensar, precisando cada vez mais de comandos para fazer algo, humor mais instável, enfim, cada dia mais dependente e frágil.
Mas apesar disso, gosta de sair conosco, sendo que ir aos cultos continua sendo a sua maior alegria. Além disso, ela faz ginástica em casa, canta hinos, me ajuda em pequenos serviços e assim vivemos um dia de cada vez.
Graças a Deus, tenho minha rede de apoio no cuidado com a mamãe, começando pelo meu esposo, que me ajuda em tudo que é necessário, além de me motivar a continuar confiando em Deus. As minhas irmãs cuidam dela quando precisamos viajar e descansar. Vizinhos e irmãos em Cristo, nos ajudam no cuidado, no carinho e também nas orações. Para me ajudar na força física, comecei, no ano passado, a fazer Pilates.
Quanto a minha fé, um outro versículo bíblico que tem falado ao meu coração nesses últimos dias, está em Provérbios 24.10, que diz: “Se você se mostra fraco no dia da angústia, é porque a sua força é pequena”. Assim, tenho buscado me fortalecer no Senhor.
Quero concluir minha experiência, lembrando as palavras do apóstolo Paulo, em Filipenses 4.11-13, que aprendeu o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, e termina dizendo: “Tudo posso naquele que me fortalece.”
Simone Trapp

Louvado seja Deus por este lindo dia!
Ele dá a todos nós a vida, a respiração e todas as coisas.
Nele vivemos, nos movemos e existimos.
Atos 17.25,28
Pastor Adriano
Adriano Brasileiro da Bahia
Adriano Cacolespo
Adriano Pereira de Oliveira.